É comum observar o hábito de ranger os dentes – e os sinais de desgastes dos dentes anteriores – em crianças com até seis anos, e talvez a natureza utilize essa função para acomodar e preparar a chegada dos dentes permanentes. É preciso que os pais estejam atentos ao bruxismo após o aparecimento dos primeiros dentes permanentes. As crianças podem apresentar os mesmos sinais e sintomas presentes em adultos bruxômanos, porém o tratamento para crianças bruxômanas requer muita atenção e acompanhamento pelos prejuízos ao crescimento ósseo decorrente do uso de placas para bruxismo específicos para crianças.
Atenção especial deve ser dada às crianças com problemas neurológicos. Nessas crianças as probabilidades de aparecimento de desgastes dentários pelo bruxismo são significativamente altas. Os desgastes dentários avançados em crianças podem levar ao desenvolvimento anormal dos maxilares e cronologia de erupção dos dentes – situação que carece de comprovações científicas mais aprofundadas.
O conteúdo do blog visa sanar duvidas sobre anatomia dental - com enfase em anatomia dental dos caninos,assim como a patologia do bruxismo.
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domingo, 14 de maio de 2017
sábado, 13 de maio de 2017
Artigo: BRUXISMO Uma visão geral
CEFAC
CENTRO DE ESPECIALIZAÇÃO EM FONOAUDIOLOGIA CLINICA
MOTRICIDADE ORAL
BRUXISMO
Monografia da conclusão do curso de especialização em Motricidade Oral.
Orientadora: Mirian Goldenberg
GIORGIA CLARO
SÃO PAULO
1998
A proposta deste estudo é abordar aspectos da etiologia, diagnóstico, características, tratamento e relacionar a aparição do bruxismo com tipos de mordidas propondo levantar aspectos de grande importância para a prática fonoaudiologia.
O que é Bruxismo 7
Bruxismo diurno e noturno 9
Classificação do Bruxismo 10
Hábitos oclusais relacionados ao Bruxismo 11
Etiologia do Bruxismo 12
Sintomatologia do Bruxismo 14
Diagnóstico do Bruxismo 16
Bruxismo em crianças 17
Efeitos do Bruxismo sobre ATM 18
Efeitos do Bruxismo sobre estruturas dentais 19
Efeitos do Bruxismo sobre a musculatura 19
Efeitos do Bruxismo sobre o periodonto 20
Tratamento do Bruxismo 21
Bruxismo X má-oclusão 24
Análise dos resultados 27
Considerações finais 31
Referências Bibliográficas 33
Muito se tem pesquisado a respeito da etiologia, diagnóstico e tratamento das alterações dentárias, musculares, neurológicas e articulares envolvidas na manifestação do Bruxismo.
O Bruxismo tem sido relatado como um fenômeno comum no homem moderno, causando dor e desconforto, não somente nos músculos da mastigação, mas também em áreas mais distantes como a cabeça, pescoço, costas e ombros, provocando limitações de movimento mandibular e disfunção
temporo-mandibular.
Dentistas e fonoaudiólogos compartilham um mesmo desafio em se tratando de Bruxismo, todos com a expectativa de um trabalho eficaz, através de diferenciadas formas de tratamento.
Poucas informações existem sobre a “cura” de indivíduos Bruxômanos.
Em indivíduos com Bruxismo, é muito comum estar com seu aspecto psicológico abalado, alterado, tornando-se este um dos casos da aparição.
A proposta deste trabalho é abordar aspectos relativos à etiologia, diagnóstico, características de sua manifestação, formas de tratamento do Bruxismo e de, mesmo com sua etiologia multifatorial, relacionar brevemente com a causa oclusal.
Neste estudo consta depoimentos de pessoas de diferentes faixas etárias que achei de extrema importância, para que deixe claro que o Bruxismo é um hábito que tem uma grande parte seu aspecto psicológico, ocorrendo melhoras a partir do momento que Bruxômanos obterem consciência de seu hábito e tiver domínio sobre ele, buscando dessa forma, tratamentos com profissionais como
ortondontistas, psicólogos e fonoaudiólogos.
Foi através da necessidade clínica para desenvolvimento do trabalho terapêutico com indivíduos Bruxômanos que me levou a pesquisa.
A escassez de literaturas escritas por fonoaudiólogos compartilhou para minha busca neste aspecto.
Esta pesquisa me enriqueceu em termos de conhecimento científico, a partir daí sinto-me confiante em poder esclarecer e sanar dúvidas dos indivíduos que apresentam estas alterações.
Gostaria que este estudo fosse consultado pelos fonoaudiólogos e profissionais de áreas afins com o intuito de incentivá-los tanto no estudo como na pesquisa de abordagens associadas ao assunto proposto.
O Bruxismo vem a ser a tendência de ranger, desgastar e apertar os dentes excessivamente, sendo uma atividade parafuncional, não podendo ser comparado com o contato oclusal dental normal que ocorre durante a deglutição e a mastigação. O paciente pode não saber de sua existência porque pode ocorrer com ruído algumas vezes e outras não.O Bruxismo chega a desenvolver forças patológicas entre 500 e 1000 libras de pressão por polegada quadrada, isto pelos músculos pterigóideo lateral e
o masseter, segundo Dr. Rubiano (1991).Ranfjord (1987), Molina (1976), Dr. Rubiano (1991), Okeson (1992),Dawson (1993) e Manson (1988), possuem a mesma visão sobre o Bruxismo.
Já Araújo (1988), coloca o Bruxismo como consequência da falta de coordenação neuromotora dos úsculos da mastigação, onde a falta de coordenação pode manisfestar-se através de hábitos ou movimentos viciosos, como repetidas oclusões em forma de tiques nervosos, projeção ou lateralização da mandíbula.
Molina (1976), coloca o Bruxismo como sendo uma doença psicossomática, sendo este um hábito inconsciente onde a parte mais danosa do Bruxismo ocorre durante o sono. Os indivíduos podem acordar com sintomas na articulação temporo-mandibular, mas não relacionam com a causa, é ambém prejudicial a cavidade oral porque ele age de forma constante, disfuncional e utiliza de forças para o tecido dental e periodental.
O Bruxismo é praticamente universal e pode provocar alterações patológicas no aparelho estomatognático com o resultado de três características:
- a persistência do hábito;
- a intensidade do hábito;
- a duração dos períodos de apertamento ou deslizamentos.
São os proprioceptores do aparelho estomatognático que tem a função de escolher os locais de apertamento dos dentes e as trajetórias de deslizamento. O reconhecimento e trajetória desses locais é transmitido por próprio receptores do SNC pelo (V) par craniano da porção sensitiva, os sinais são transferidos para o núcleo motor do (V) par cranial e depois para a musculatura mastigatória.
O Bruxismo diurno é menos significativo que o noturno, por se apresentar em forma de aperto, não deixando seqüela de desgaste dental, dano periodontal, dano articular, nem erosões cervicais nos dentes. quase todos os seres humanos apertam os dentes com maior ou menor grau.
Já o paciente com Bruxismo noturno, sempre aperta no sentido lateral ou transversal, podendo ser prejudicial ao tecido periodontal, desgaste anterior e dos posteriores, erosões cervicais e com a continuação pode surgir articulações temporo-mandibular deteriorada, podendo ter espasmo no pterigóideo lateral, neste caso tendo desgaste de caninos opostos.
Okeson (1992) prova com estudos que durante a fase REM o acesso do Bruxismo é maior do que na fase não REM; explica com isso a causa da dor quando o indivíduo acorda.
Quando o paciente dorme de lado, pressionando a mandíbula, ocorre mais problemas, se há um contato prematuro ou uma contração muscular e/ou dano articulares que agravam ainda mais o estado do indivíduo. Se o indivíduo com Bruxismo noturno, utiliza uma guia anterior com desoclusão posterior nos movimentos extrínsecos de profusão, latero-protusão e lateralidade, não há possibilidade de nenhuma atividade parafuncional, porque no movimento em que o paciente tenta iniciar um processo de Bruxismo apertando os molares e pré-molares, dá início a uma excursão, os dentes anteriores são os únicos que apresentam fricção.Os dentes anteriores são os únicos que fisiológicamente suportam o atrito dental.
Indivíduos com Bruxismo noturno podem diminui-lo durante o sono, se tomar uma baixa dosagem de anti-depressivos, antes de deitar. As condições oclusivas exercem uma influência muito pequena na
atividade noturna; o stress emocional tem uma influência muito maior.
O Bruxismo se classifica em:
I - Bruxismo Cêntrico:
Consiste de uma contração habitual dos músculos sem que haja uma
situação óbvia de urgência física ou psíquica.
O apertamento é mais comum durante o dia podendo ocorrer durante a
noite.
Indivíduos com Bruxismo cêntrico podem apresentar:
Aperto dos dentes em OC ou RC ou entre ambas, não há deslizamento, só
apertamento. Ocorre uma contração isométrica, os tecidos musculares tem
dificuldade para eliminar resíduos metabólicos; podem ter contatos prematuros
cêntricos com etiologia ou tensão emocional exacerbada, segundo Ranfjord,
(1987).
II - Bruxismo Excêntrico:
O autor relata ainda que este tem dupla etiologia; indivíduos com este tipo
de Bruxismo podem ter:
-Apertamento e deslizamento dos dentes na protusão e lateralidadeprotusiva.
- Os movimentos mandibulares são bordejantes.
- Podem ter contatos prematuros, cêntricos ou excêntricos.
- Contração muscular isotônica.
- Apresentam facetas de desgaste nos dentes anteriores e posteriores.
- A musculatura apresenta maior facilidade na eliminação de resíduos energéticos, ácidos e irritantes.
-Podem estar presentes a dor, disfunção, hipertonismo muscular e sensibilidade à palpação.
A tendência habitual de morder objetos levados à boca, como hastes de
cachimbo, grampos de cabelo, ou de morder sobre o tecido mole bucal como
lábios, língua e bochechas, empurrar a língua contra os dentes, representa uma
descarga de tensão emocional ou psíquica.
Entretanto estas condições não tem, necessariamente, qualquer
associação com a desarmonia oclusal, como é o caso do Bruxismo.
O único efeito indireto, possível das interferências oclusais nessas
condições é um aumento na tonicidade muscular. O tônus muscular pode ser
diminuído pela terapêutica oclusal e pela remoção de fatores irritantes da boca.
A remoção das interferências oclusais podem tornar mais fácil superar
alguns destes hábitos; porém a mordida de lábios, língua, bochechas e unhas
podem também ser tomadas como um substituto para a tensão quando o canal, o
Bruxismo estiver sendo eliminado pela remoção de tais fatores oclusais
desencadeantes.
Existe também outros hábitos que podem ser associados a ocupação de
um indivíduo, mordida de fios por costureira, estofadores ou marceneiros
mantendo pregos entre seus dentes.
O ranger e o comprimir dos dentes conjuntamente pode ser precipitado por
desordem espástica de natureza local ou sistêmica.
Muitos destes hábitos podem ser controlados explicando o assunto para o
paciente
Para Dawson (1993), a etiologia do Bruxismo não está completamente
clara.
Embora para ele este problema já esteja bastante elucidado, há muitas
observações não esclarecidas que indicam que ainda há muito o que aprender,
havendo mais que uma etiologia responsável pelo Bruxismo.
O Bruxismo tem sua etiologia através de agressões reprimidas, tensão
emocional, raiva, temor e a frustração, estes são os maiores causadores do
Bruxismo.
Molina (1976) expõe a etiologia do Bruxismo na visão psicológica com
exemplo de uma criança que atinge a fase de expressão oral e são reprimidas
durante a formação de fatores de auto segurança e de sintomas agressivos,
começam a apertar e deslizar os dentes como mecanismo de liberação de
emoções reprimidas.
Em indivíduos com raiva, medo reprimido, os hábitos de ranger e deslizar
os dentes são uma forma de liberar a tensão, devido estar armazenando a tensão
com longa duração.
A tendência de apertar ou esfregar os dentes sob sentimentos de raiva ou
agressão tem sido reconhecida desde os tempos bíblicos. Na literatura dental,
Tishler (1928), reconheceu o relacionamento potencial entre a condição neurótica
e o Bruxismo.
Tem sido dito que o Bruxismo é mais comum em pessoas neuróticas e
representa uma resposta a problemas que não podem ser resolvidos ou uma
inabilidade de expressar emoções como o ódio, agressão, sadismo, fúria e outros.
Seria uma sadia inconsciente para estas pessoas.
Tishler (1928) observou, também em seu estudo, que em indivíduos
neuróticos, o Bruxismo poderia ser iniciado até mesmo por fatores etiológicos
combinados, casos leves de traumas oclusais ou defeitos oclusais mínimos.
Segundo Molina (1976) , em seu estudo, mostra que o indivíduo com
Bruxismo, tem maior freqüência de problemas com desequilíbrio emocional, dor
de cabeça, prevalência muscular quando comparado com indivíduos normais.
Indivíduos que rangem os dentes, podem ter começado o hábito como um
mecanismo compensador.
Ranfjord (1987) e Dawson (1993), em seus estudos, dizem que o Bruxismo
pode ser crônico e também agudo. O hábito pode variar de intensidade em
épocas diferentes do indivíduo.
O Bruxismo também pode ser de etiologia oclusal, onde é possível ter
contato oclusais defeituosos entre a relação e oclusão cêntrica em indivíduos com
Bruxismo, disfunção na musculatura e na articulação temporo-mandibularO Bruxismo pode ter sua etiologia relacionada com o distúrbio do sono,
problemas emocionais crônicos, podendo estar presente o hábito no início da
erupção dos incisivos decíduos, continuar uma dentição permanente e também
em indivíduos que usam dentaduras.
Segundo Hanson (1988), Meklas (1971) relaciona a causa do Bruxismo
com a cavidade oral, sendo elas:
- discrepância entre a relação central e a oclusão;
- dentes inclinados ou mal posicionados;
- restaurações altas;
- inflamação crônica da região periodontal;
- cúspides excessivas e,
- restaurações mal esculpidas.
Hanson (1988) destaca também o estudo de Gallagher (1980), incluindo
também entre as etiologias os distúrbios gastrointestinais, alergias e distúrbios
endócrinos que são esses chamados de fatores sistêmicos.
Destes convém ressaltar o fator alérgico em que para Greco (1977),
significa uma relação íntima entre a taxa de IGE e a eosinofilia e o Bruxismo.
Estudos de Mosstch (1985), relatam que dentes móveis podem perturbar o
“feed-back” proprioceptivo e assim também estabelecer o Bruxismo.
O Bruxismo apresenta um esforço do paciente em aliviar a dor, desconforto
ou pressão causados por irregularidades dentárias ou moléstia por interferência
oclusal, causando sintomas como:
-fadiga da oclusão não mastigatória, devido a contração constante dos músculos mandibulares;
-músculo da mastigação forte excessivamente;
-estalos e dor na ATM
-irritabilidade e ou sensibilidade dentária;
-espasmos, fadiga e dor muscular;
-bochechas lábios e língua mordidas;
-dores de cabeça crônica, sendo a base para a dor uma circulação perturbada dos músculos;
-dentes frouxos.
Podem ter alteração dos tecidos periodontais, levando a seqüelas de
hipertrofia compensatória das estruturas periodontais.
Graber (1984), em seu estudo diz não haver evidência clínica de que o
Bruxismo desencadeie distúrbio periodontal. Ao contrário do que afirma Ranfjord
(1987) e Ash (1987).
Quando se ultrapassa o limite de adaptação fisiológica, os músculos
mastigatórios respondem com uma hipertonicidade, sendo um mecanismo
facilitador para os impulsos nervosos oclusal ou diminuir o umbral de
excitabilidade neuronial pela função nervosa ou dor , ou ambos de uma só vez.
Pacientes com hipertonicidade muscular e Bruxismo, os músculos
mastigatórios se tornam sensíveis a palpação e geralmente os pontos são os
bordos anterior e inferior do masseter e pterigóideo interno e a região temporal.
Indivíduos com Bruxismo queixam-se de sensação nos músculos maxilares
logo que acabam de acordar de manhã, ou sentem a mandíbula travada, sendo
necessário massagem no masseter e no temporal antes de poder realizar a
abertura da mandíbula.
Para realizar o diagnóstico do Bruxismo, devem ser observados muitos
aspectos.
O som oclusal provocado pelas forças e atritos durante os períodos de
rangimento dental do indivíduo com Bruxismo nem sempre está presente e
quando está pode ser o diagnóstico mais importante. O som audível do Bruxismo
e o som surdo na percussão dental constituem os sinais principais para
diagnosticar os hábitos.
A grande maioria dos indivíduos bruxômanos, emite um som característico,
enquanto apertam os dentes. Algumas vezes o som é tão forte que pode acordar
o parceiro ou aqueles indivíduos que dormem nos quartos vizinhos.
Os indivíduos bruxômanos apresentam sinais e sintomas, como a
sensibilidade à palpação, a rigidez muscular do masseter e do temporal, as
facetas dos dentes anteriores com desgaste e ruído noturno de rangimento.
Para se fazer um bom diagnóstico, devem ser considerados todos os
elementos em conjunto para se ter certeza de que o indivíduo é um bruxômano.
O exame de mobilidade dental, análise de espaço periodontal, localização
de zonas
Com hipercementose e a reabsorção alveolar são elementos que não
devem semenosprezados.
Nunca se deve confiar apenas na anamnese para diagnosticar rangimento
dental. A grande maioria dos indivíduos responde que não range ou não sabe se
range os dentes durante a noite pelo motivo do hábito ser inconsciente.BRUXISMO EM CRIANÇAS
Ninguém que tenha ouvido, algumas vezes, o som rangente proveniente de
um quarto de criança, duvidaria que crianças fossem sujeitas a intenso Bruxismo.
Muitas crianças rangem os dentes, uma vez ou outra, pois interferências oclusais
se desenvolvem naturalmente durante a erupção dos dentes. Assim coloca
Dawson (1993), em afirmar que durante a idade da dentição mista, o Bruxismo é
comum e algumas crianças desenvolvem padrões de Bruxismo tão sérios que
podem desgastar seus dentes desciduos, até deixá-los planos.
Há inúmeras histórias populares para explicar o motivo das crianças
rangerem os dentes. A mais conhecida é provavelmente a que dizem que a
criança “tem vermes”.
Pode haver fatores diversos, que contribuem e aumentam a tendência ao
Bruxismo, sendo seus efeitos insignificantes na ausência de interferências
oclusais. O problema apesar do barulho, não costuma ser sério a ponto de causar
irritação ou quando o desgaste oclusal parecer ser mais extenso do que o normal
, algum ajuste oclusal pode ser planejado. Pode ser estudado a colocação de um
aparelho ortodôntico ou placa de mordida.
Podemos comparar o efeito do Bruxismo sobre a ATM por ser praticamente
iguais a indivíduos com distúrbios da ATM.
O fator principal de alteração patológica é a pressão excessiva, constante e
intensa sobre os componentes intra articulares, sobre os discos, a capsula e o
músculo pterigóideo lateral.
Aparentemente o grau de distribuição articular depende do tipo de oclusão,
idade, força mastigatória, número e posição de dentes e tipo de Bruxismo. Os
indivíduos mais afetados são aqueles portadores de mordida cruzada,
especialmente classe II de Angle e interferências oclusais grosseiras no lado de
balanceio.
Indivíduos bruxômanos nem sempre apresentam sintomas e sinais abaixo
relacionados:
-limite de abertura bucal
-restrição de movimentos mandibulares dirigidos para o lado esquerdo ou direito.
-fechamento mandibular em zigue – zague e outros sinais e sintomas
temporo-mandibular que podem estar associados.
Um sintoma que é causado normalmente é a dor, não sendo manifestada
durante a mastigação de alimentos duros. uma “ferroada” pode ser sentida tendo
início na região inferior do masseter e terminar na região da ATM.
O Bruxismo pode causar nas facetas, um desgaste no segmento ântero ou
posterior, nas bordas incisivo-linguais dos incisivos superiores.
Estes desgastes nas facetas, resultam do atrito dental constante durante as
fases de deslizamento e apertamento mandibular.
As facetas desgastadas nos incisivos inferiores e superiores se ajustam
entre si, determinando um Bruxismo diretamente protusivo, enquanto que as
facetas sobre os caninos resultam de Bruxismo protusivo ou lateral protusivo.
O apertamento dos dentes no segmento anterior da arcada, pode facilitar a
fratura de restauração e coroas, fraturas de restaurações classe III ou IV .
O desgaste excessivo dos dentes, especialmente dos dentes anteriores é
antiestético e as facetas tornam a restauração do dente muito difícil.
Pacientes com tensões emocionais aumentada têm como conseqüência o
tônus aumentado, originando uma oclusão desequilibrada.
A hipertonia muscular também resulta de um aumento na atividade
bruxística noturna e da nova posição mandibular que os proprioceptores
escolhem para posicionar a mandíbula, dependendo do número de interferências
oclusais.
Os músculos depressores (suprahioídeos e infrahioídeos) produzem rotação
da mandíbula e a boca abre pelos pterigoídeos laterais. Por outro lado, os
elevadores; para fechar a boca promovem a protusão (pterigoídeo medial).
Nesses movimentos observamos que o masseter em Bruxômanos contrai quatro
vezes mais que em não Bruxômanos.
Na ação de fechamento da mandíbula sobre os dentes com contato
prematuros induz a uma contração/estiramento da musculatura, diminuindo o
potencial de repouso.
Os efeitos do Bruxismo sobre a musculatura podem ser:
- tônus muscular aumentado;
- diminuição de espaço livre;
- espasmo muscular;
- contração muscular sustentada;
- perda dos períodos de repouso;
-dor de cabeça e outros.
O efeito do Bruxismo sobre o periodonto são praticamente iguais aos do
trauma oclusal, com a diferença de que as alterações do Bruxismo são sobre toda
a dentição ou alguns dentes.
As estruturas periodontais podem apresentar uma resistência diminuída
com a idade e o esforço funcional.
Indivíduos com pouca resistência periodontal podem sofrer alterações e
enfraquecimento devido às forças do Bruxismo combinadas com a do músculo
hipertônico.
O Bruxismo pode alterar o aparelho de inserção, sendo este um fator
contribuinte para a doença periodontal
O tratamento do Bruxismo deve consistir em cinco objetivos básicos que
são:
-reduzir ao mínimo a tensão emocional do indivíduo;
- tentar eliminar ou diminuir os sinais e sintomas muscular e articulares do paciente;
- eliminar ao máximo contatos prematuros e interferências oclusais do indivíduo;
- melhorar o padrão de contração, estiramento, repouso alterado da musculatura;
- aumentar a estabilidade oclusal.
Os objetivos acima, podem ser alcançados através da auto sugestão que
tem o objetivo de conscientizar o hábito de ranger os dentes ao indivíduo.
Deve-se explicar sobre o hábito, etiologia, efeitos patológicos sobre a
dentição e o aparelho mastigatório, na visão de Molina (1976), Hanson (1988) e
Ranfjord (1987).
Na segunda fase o paciente deve afirmar várias vezes antes de dormir que
não vai apertar os dentes, caso isso ocorra, deverá acordar no momento em que
comece a apertar e deslizar.
É recomendável também, o paciente dormir com a ponta da língua sobre a
face lingual dos incisivos e caninos superiores e com os dentes fora de contato.
Este tratamento é paliativo.
Outro tipo de tratamento auxiliar no Bruxismo é a terapia de massa, usada
no estudo de Molina (1986). Neste tratamento a musculatura mastigatória do
paciente é forçada a entrar em fadiga por um processo de contração sustentada,
seguida de relaxamento alternado. A medida, repetida, provoca diminuição da
fadiga e conseqüente alívio.
Araújo (1988) acredita que a forma de tratamento para o Bruxismo são
exercícios coordenados com mordedor de borracha até o fortalecimento dos
músculos e a formação do “feed-back” cinestético, produzindo o gradativo
abandono do hábito e à medida que os músculos vão adquirindo sua tonicidade
normal, o indivíduo passa a ranger menos os dentes até parar totalmente.
Equilíbrio da oclusão, também usada por Molina (1976), é uma forma de
terapia. onde se observa os contatos prematuros e interferências oclusais em
todas as posições e movimentos mandibulares para mais tarde serem eliminados
progressivamente. A técnica poderá ser utilizada na dentição decídua, mista ou
permanente, inclusive em indivíduos com dentadura. O tratamento facilita a
liberdade de movimentos, em todas as posições e movimentos mandibulares,
elimina ou diminui a quantidade de imput proprioceptivo para o SNC, diminuindo a
irritação, super contração e super estiramento muscular.
Molina (1976) estudou também a placa de mordida que é o tratamento
utilizado com maior freqüência antes de se iniciar o tratamento por equilíbrio da
oclusão.
As placas de mordida ajudam a eliminar a informação proprioceptiva que
se origina no periodonto e ATM e por isto, auxiliam, rompendo o ciclo vicioso de
contração muscular sustentada.
Com o uso das placas oclusais e da terapia de equilíbrio da oclusão, os
músculos recuperam o tônus de contração e repouso fisiológico, o que ajuda a
eliminar ou diminuir os reflexos de apertamento dental.
Já as placas férulas , outro método de tratamento, devem ser
confeccionadas sem novas interferências oclusais e não devem invadir muito
espaço livre interoclusal e devem permanecer na boca por períodos curtos de
tempo. em alguns casos podem ser usadas por período de tempo mais
prolongados.
As placas na terapia oclusal podem ser usadasapenas como coadjuvantes
na terapia do Bruxismo, para evitar desgaste dental.
Há também o tratamento restaurador, estudado por Ranfjord (1987), que é
indicado quando uma oclusão estável e bem balanceada não pode ser
estabelecida apenas através do ajuste oclusal.
As restaurações oclusais também podem ser indicadas para substituir ou
prevenir a perda excessiva de substância dentária pelo Bruxismo.
Se o padrão de desgaste oclusal do paciente resultante de Bruxismo for
simplesmente duplicado nas restaurações, o Bruxismo e o desgaste continuam.
Quando o paciente tem dentaduras completas e Bruxismo severo é muito
difícil assegurar uma relação central correta.
Nos casos em pacientes com Bruxismo, em especial aqueles onde o
problema de oclusão não são tão importantes quanto o desequilíbrio emocional
do indivíduo, o bruxômano deverá ser tratado por uma equipe multi diciplinar.
O tratamento do Bruxismo é complexo e pode incluir terapia muscular,
reabilitação oclusal e o uso de substâncias medicamentosas para eliminar a dor e
a inflamação, reduzir o espasmo muscular, reproduzir e recuperar a oclusão do
indivíduo.
A terapia muscular elimina temporariamente reflexos muscular e contração
muscular viciadas.
Massagens, exercícios miorrelaxantes e calor úmido também são de
grande importância para indivíduos com Bruxismo. São capazes de romper
temporariamente o ciclo espasmo – dor – espasmo do paciente.
Vapores, gelados para dor na área de ATM, injeções anestésicas
diretamente na ATM ou nos músculos, tranqüilizantes, sedativos e relaxantes
musculares também são usados para eliminar Bruxismo de etiologia psicológica.
Já Hanson (1988), usa medicamentos relaxantes como forma de tratamento.
Para Dawson (1993), a maior dificuldade a ser enfrentada é quando o
paciente com Bruxismo desgasta toda a sua oclusão, até ficar plana e encurtar os
dentes anteriores dentro de uma relação topo a topo. O efeito do Bruxismo é fácil
de ser eliminado quando a guia anterior plana pode ser mantida, porém muitas
vezes o paciente deseja ter a estética anterior melhorada.
Dawson (1993), diz que angular a guia anterior quase sempre estimula a
parafunção.
O tratamento é feito aumentando a espessura do metal ou porcelana. O
paciente é informado previamente sobre a provável continuação do desgaste.
Algumas placas podem ser necessárias para oferecer estabilização
adicional contra o stress. A guia anterior deve ser realizada da maneira mais
meticulosa possível.
Há muitas etiologias para desencadear o Bruxismo sendo o contato oclusal
defeituoso, uma delas. Baseado nesta etiologia será valiosa a busca dessa
relação entre o Bruxismo e a má-oclusão..
É de extrema importância o conhecimento das classificações da oclusão,
para poder relacionar com o Bruxismo.
Para Hanson (1984), a oclusão é uma função mandibular que se relaciona
com o movimento de aproximação dos dentes superiores e inferiores,
considerando que o arco dental superior é imóvel.
A oclusão vem a ser o movimento da mandíbula, saindo da posição de
repouso, onde há espaço livre e passando pelo ponto de contato dos planos
inclinados multidirecionais das cúspides.Segundo o estudo de Hanson (1984), na oclusão normal, as pontas incisais
dos dentes superiores se fecham contra a superfície lingual do seu antagonista
maxilar, deixando um terço da Coroa da Mandíbula escondida.
Marchesan (1993), e Petrelli (1992), mostram a classificação mais
conhecida entre o meio odontológico e fonoaudiológico, que baseia no 1º molar
superior, ocluindo sua cúspide mesiovestibular no sulco do 1º molar inferior.
Classificação esta que se divide em classes:
Classe I - Denomina-se quando a cúspide mesiovestibular do 1º molar superior
permanente oclui no sulco mesiovestibular do 1º molar inferior permanente. As
anomalias encontradas nessa classe são de posição dentária, podendo ser:
mordida aberta, mordida profunda, biprotusão e mordida cruzada.
Classe II - nesta a cúspide distovestibular do 1º molar superior oclui com o sulco
mesiovestibular do 1º molar inferior.
Esta classe apresenta duas divisões:
Divisão 1ª, os incisivos centrais encontram-se inclinados para vestibular
podemos encontrar associado a este tipo de má-oclusão, hábitos viciosos.
Divisão 2ª, os incisivos centrais encontram-se inclinados para linguais e os
laterais para vestibular. Segundo Petrelli (1992), na maioria destes casos são
encontrados a presença de mordida profunda.
Classe III - O molar inferior está à frente do molar superior. Estes casos estão
associados à mordida cruzada.
“Uma mordida atraente, equilibrada, estável e sã, pode ser considerada
normal ainda que existam ligeiras má posições”. Marchesan (1993).
Marchesan (1993), em seu estudo explica os tipos de mordida, sendo:
· Mordida Cruzada: Quando há uma inversão da oclusão do dente no
sentido vestibulo-lingual.
· Mordida Aberta Anterior: É quando os incisivos centrais superiores devem
encobrir em um terço os incisivos centrais inferiores.
· Mordida Aberta Lateral ou Posterior: Explica Howat (1992), que é raro
esse tipo de mordida, tendo diversos tipos e diferentes aspectos. São quase
sempre de etiologia dental e podem ser derivadas a implantação de um ou
mais dentes.
· Mordida Profunda: Howat (1992), coloca essa mordida em seu estudo,
sendo estipulada quando os incisivos inferiores contactam dentes ou tecidos
moles no arco dental superior.
Os indivíduos mais afetados pelo Bruxismo são aqueles portadores de
mordida cruzada, especialmente Classe II de Angle e interferênciais oclusais
grosseiras no lado de balanceio. Aparentemente devido a distribuição articular.
Através do conhecimento que pude obter ao fazer este estudo sobre
Bruxismo, visando sua etiologia, sintomatologia e tratamento, me ocorreu a
curiosidade de buscar o conhecimento na prática.
Observando indivíduos em uma Clínica Odontológica, noto que a maioria
dos indivíduos com Bruxismo possuem alterações em sua oclusão, sendo estas
alterações em sua mordida.
Relaciono aparecimento do Bruxismo com o tipo de mordida em cada
paciente. Avalio 60 indivíduos, sendo 20 com mordida aberta, 20 com mordida
profunda e 20 com mordida cruzada. Todos na faixa etária de 09 a 16 anos de
idade.
Tipo de Mordida Nº de Indivíduos
Mordida profunda Com Bruxismo 05
Mordida aberta Com Bruxismo 04
Mordida cruzada Com Bruxismo 19
Tipo de Mordida Nº de Indivíduos
Mordida profunda Sem Bruxismo 01
Mordida aberta Sem Bruxismo 16
Mordida cruzada Sem Bruxismo 01
Através dessa observação, creio que indivíduos possuidores de mordida
cruzada têm Bruxismo associado em maior número do que indivíduos com outros
tipos de mordida. Não se desvinculando de outras etiologias importantes do
Bruxismo, como por exemplo a etiologia psíquica e outras que foram observadas
neste estudo.
Sendo assim, acho interessante acrescentar neste estudo depoimentos de
indivíduos Bruxômanos com faixa etária diferentes. Para isso os indivíduos
responderam três questões:
a) Quando e como você percebeu que tinha Bruxismo?
b) O que fez depois que soube que tinha Bruxismo e o que faz quando você o
percebe?
c) Você faz tratamento fonoaudiológico? Se sim, o que está achando? Se não,
pretende fazer e porque?
I - INDIVÍDUO
- C.B, 24 anos
“O ortodontista que me falou, pois até então eu só percebia os estalos na
região próxima ao ouvido, depois comecei a notar que isso se passava quando o
meu dia era muito agitado, aí eu ficava ansiosa e acabava apertando ou rangendo
os dentes. Cheguei a passar por uma avaliação fonoaudiológica encaminhada
pelo ortodontista, porque eu tinha a fala travada, ainda hoje faço sessões
fonoaudiológicas e as vezes uso uma placa que foi indicada pelo dentista, mas só
quando me sinto agitada e ansiosa, assim evito a dor. Quando não uso a placa e
meu dia é turbulento, sinto dor no rosto. Estou gostando das sessões
fonoaudiológicas , já notei resultados na minha fala, que antes era muito mais
travada, as dores diminuíram bastante com os relaxamentos e massagens no
rosto”.
II - INDIVÍDUO
- E.M.S, 40 anos
“ Eu primeiro percebi uma forte dor na região do ouvido e da cabeça,
cheguei a ir até o otorrinolaringologista e ao neurologista, até chegar ao
ortodontista e este me indicou uma placa, até aí eu não sabia o que era Bruxismo,
depois que iniciei terapia psicológica e fonoaudiólogica pude compreender e
saber quando começei a ter Bruxismo e foi quando eu era criança, eu ficava com
raiva porque meus pais me proibiam de tudo e então eu lembro que apertava
muito os dentes, fui relembrar disso a pouco tempo, agora sei que o problema que
tenho hoje é puramente emocional, e vem da minha infância. Hoje uso placa só
para dormir e estou tentando deixar de usá-la, quero resolver logo meus conflitos
emocionais que me deixam com tensão, aí sim poderei retirar a placa e superar
esses hábitos. Quando percebo que estou mordendo, faço algumas massagens
na região dolorida. Já faço terapia psicológica há cinco anos, hoje faço
fonoaudiologia e consegui perceber melhor meu corpo, observar quando e onde
dói”.
III- INDIVÍDUO
- R.S.M, 32 anos
“Percebi que rangia os dentes quando minha namorada percebeu e me falou,
antes disso eu sabia que tinha a dor, mas não sabia o porque. Isso me
incomodava e hoje em dia consigo perceber quando estou apertando; são nos
momentos de raiva e/ou ansiedade, quando tenho algo que tenho que fazer,
terminar e tenho tempo para entregar, aí sinto que mordo e também aperto os
dentes quando estou dirigindo.
Procurei um dentista, que fez uma placa para usar, a qual quebrei com duas
semanas de uso, até hoje não retornei para fazer outra. Até agora não deu tempo,
pois tenho um serviço muito agitado e sei que estou piorando. Sinto, porque agora
sei que aperto os dentes e quando aperto. Mas não consegui parar, sei que
preciso da placa e de exercícios. Não faço fonoaudiologia, mas minha namorada
fica “pegando no meu pé” para que eu faça os exercícios e massagens que ela
me ensinou.”
A maior parte dos indivíduos realizam atividades de Bruxismo em alguma
fase de suas vidas, em graus variados.
Indivíduos com Bruxismo, devem ser analisados como um todo, pelo fato
de sua etiologia principal ser a tensão e a infelicidade.
Muitos indivíduos têm Bruxismo e não sabem, justamente por ser um
hábito inconsciente.
Os tecidos do sistema mastigatório geralmente se adaptam a este
comportamento, com desgaste dental ou remodelação dos componentes
articulares. Em alguns indivíduos, entretanto, a capacidade para adaptação é
superada por forças acumulativas desta parafunção, resultando em dor e
disfunção do sistema mastigatório.
É de extrema importância o profissional deixar seu paciente consciente de
sua patologia e de suas necessidades para saná-las, buscando um tratamento
adequado.
A etiologia multifatorial do Bruxismo leva à variedade de opções de
tratamento, embora mais aceito é que o bruxismo seja de causa emocional,
oclusal ou ambas associadas levando a tratamento psicológico e/ou correção
oclusal.
Pelo fato da etiologia oclusal existir, desencadeando o Bruxismo a relação
de que o Bruxismo está predisposto em indivíduos com mordida cruzada, leva os
profissionais ter em mente que mesmo utilizando o tratamento indicado para o
fator etiológico primário, pode não se conseguir interromper o Bruxismo.
Muitas vezes nos de Mesmo assim, deve se usar as terapias para
prevenção dos danos aos componentes do sistema mastigatório.
paramos com casos que sem o estudo adequado não conseguimos
resultados satisfatórios.
Este estudo me incentivou em desenvolver um trabalho mais direcionado
com indivíduos portadores deste distúrbios.
Nós profissionais temos que nos aperfeiçoar cada vez mais na pesquisa e
em atualizações, para podermos estar sempre à frente, tanto no mercado de
trabalho como na atuação e desenvolvimento terapêutico com aqueles que nos
procuram nos consultórios, com o objetivo de solucionar seus problemas.
Sugiro para estudos futuros que profissionais pesquisem mais sobre este
tema tão pouco difundido dentro da área fonoaudiológica, pois pesquisar é a arte
de aprender e se aperfeiçoar a cada dia.
Mesmo assim, deve se usar as terapiaspara prevenção dos danos aos
componentes do sistema mastigatório.
Através desse estudo obtive dados ricos desta patologia tão presente em
nossos consultórios.
ARAÚJO, M.C.M. Ortodontia para clínicos. São Paulo, Santos, 4ª ed, 1988.
BONACIN FILHO, V. Bruxismo. São Paulo, Antie, 1988.
DAWSON, P.E. Avaliação, diagnóstico e tratamento dos problemas
oclusais. São Paulo, Artes Médicas, 2ª ed, 1993.
GRECO, D. Métodos de diagnósticos “in vitro” e “in vivo” das alergias
resoiratórias na infância. Clínica Pediátrica, 1977.
MARCHESAN, I. Q. Motricidade oral. São Paulo, Pancast, 1993.
MOLINA, O.F. Fisiopatologia Crâniomandibular. Rio de Janeiro, Pancost,
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MOSTCH, A. Ajuste oclusal em dentes naturais. São Paulo, Santos 1985.
MOYERS, R.E. Ortodontia, Rio de Janeiro, Guanabara, 1979.
NANSON, PH. D. BARRETT, B. A. Fundamentos da miologia orofacial.
NOWAT, A. Atlas colorido de oclusão e maloclusão. São Paulo, Artes
Médicas ,1992.
34
OKESON, Fundamentos de oclusão e desordens temporo-mandibulares.
São Paulo, Artes Médicas, 1992.
PETRELLI, E. Ortodontia para fonoaudiologia. São Paulo, Lovise, 1ª ed,
1992.
RANFJORD, S. ASM, M. M. ATM-Disfunções do sistema estomatognático.
Rio de Janeiro, Guanabara, 1984.
RAMFJORD, S. ASH, M.M Oclusão, Rio de Janeiro, Guanabara, 3ª edição,
1987.
RUBIANO, M.C. Placa neuromiorrelaxante. São Paulo, Koogan, 1995.
TISHLER, B. Oclusal habit neuroses, D. Cosmos, July, 1928.
CENTRO DE ESPECIALIZAÇÃO EM FONOAUDIOLOGIA CLINICA
MOTRICIDADE ORAL
BRUXISMO
Uma visão geral
Monografia da conclusão do curso de especialização em Motricidade Oral.Orientadora: Mirian Goldenberg
GIORGIA CLARO
SÃO PAULO
1998
RESUMO
O presente estudo é sobre o Bruxismo, sendo esta uma patologia comum no homem moderno, a qual pode ser causada por fatores psicológicos, emocionais, oclusais e até mesmo por maus hábitos, levando a sintomas de dor e desconforto, não somente nos músculos da mastigação, mas também na área da cabeça, pescoço, costas e ombros.A proposta deste estudo é abordar aspectos da etiologia, diagnóstico, características, tratamento e relacionar a aparição do bruxismo com tipos de mordidas propondo levantar aspectos de grande importância para a prática fonoaudiologia.
SUMÁRIO
Introdução 6O que é Bruxismo 7
Bruxismo diurno e noturno 9
Classificação do Bruxismo 10
Hábitos oclusais relacionados ao Bruxismo 11
Etiologia do Bruxismo 12
Sintomatologia do Bruxismo 14
Diagnóstico do Bruxismo 16
Bruxismo em crianças 17
Efeitos do Bruxismo sobre ATM 18
Efeitos do Bruxismo sobre estruturas dentais 19
Efeitos do Bruxismo sobre a musculatura 19
Efeitos do Bruxismo sobre o periodonto 20
Tratamento do Bruxismo 21
Bruxismo X má-oclusão 24
Análise dos resultados 27
Considerações finais 31
Referências Bibliográficas 33
INTRODUÇÃO
Atualmente é notória a grande preocupação direcionada às disfunções do sistema estomatognático.Muito se tem pesquisado a respeito da etiologia, diagnóstico e tratamento das alterações dentárias, musculares, neurológicas e articulares envolvidas na manifestação do Bruxismo.
O Bruxismo tem sido relatado como um fenômeno comum no homem moderno, causando dor e desconforto, não somente nos músculos da mastigação, mas também em áreas mais distantes como a cabeça, pescoço, costas e ombros, provocando limitações de movimento mandibular e disfunção
temporo-mandibular.
Dentistas e fonoaudiólogos compartilham um mesmo desafio em se tratando de Bruxismo, todos com a expectativa de um trabalho eficaz, através de diferenciadas formas de tratamento.
Poucas informações existem sobre a “cura” de indivíduos Bruxômanos.
Em indivíduos com Bruxismo, é muito comum estar com seu aspecto psicológico abalado, alterado, tornando-se este um dos casos da aparição.
A proposta deste trabalho é abordar aspectos relativos à etiologia, diagnóstico, características de sua manifestação, formas de tratamento do Bruxismo e de, mesmo com sua etiologia multifatorial, relacionar brevemente com a causa oclusal.
Neste estudo consta depoimentos de pessoas de diferentes faixas etárias que achei de extrema importância, para que deixe claro que o Bruxismo é um hábito que tem uma grande parte seu aspecto psicológico, ocorrendo melhoras a partir do momento que Bruxômanos obterem consciência de seu hábito e tiver domínio sobre ele, buscando dessa forma, tratamentos com profissionais como
ortondontistas, psicólogos e fonoaudiólogos.
Foi através da necessidade clínica para desenvolvimento do trabalho terapêutico com indivíduos Bruxômanos que me levou a pesquisa.
A escassez de literaturas escritas por fonoaudiólogos compartilhou para minha busca neste aspecto.
Esta pesquisa me enriqueceu em termos de conhecimento científico, a partir daí sinto-me confiante em poder esclarecer e sanar dúvidas dos indivíduos que apresentam estas alterações.
Gostaria que este estudo fosse consultado pelos fonoaudiólogos e profissionais de áreas afins com o intuito de incentivá-los tanto no estudo como na pesquisa de abordagens associadas ao assunto proposto.
O QUE É BRUXISMO?
O Bruxismo vem a ser a tendência de ranger, desgastar e apertar os dentes excessivamente, sendo uma atividade parafuncional, não podendo ser comparado com o contato oclusal dental normal que ocorre durante a deglutição e a mastigação. O paciente pode não saber de sua existência porque pode ocorrer com ruído algumas vezes e outras não.O Bruxismo chega a desenvolver forças patológicas entre 500 e 1000 libras de pressão por polegada quadrada, isto pelos músculos pterigóideo lateral e
o masseter, segundo Dr. Rubiano (1991).Ranfjord (1987), Molina (1976), Dr. Rubiano (1991), Okeson (1992),Dawson (1993) e Manson (1988), possuem a mesma visão sobre o Bruxismo.
Já Araújo (1988), coloca o Bruxismo como consequência da falta de coordenação neuromotora dos úsculos da mastigação, onde a falta de coordenação pode manisfestar-se através de hábitos ou movimentos viciosos, como repetidas oclusões em forma de tiques nervosos, projeção ou lateralização da mandíbula.
Molina (1976), coloca o Bruxismo como sendo uma doença psicossomática, sendo este um hábito inconsciente onde a parte mais danosa do Bruxismo ocorre durante o sono. Os indivíduos podem acordar com sintomas na articulação temporo-mandibular, mas não relacionam com a causa, é ambém prejudicial a cavidade oral porque ele age de forma constante, disfuncional e utiliza de forças para o tecido dental e periodental.
O Bruxismo é praticamente universal e pode provocar alterações patológicas no aparelho estomatognático com o resultado de três características:
- a persistência do hábito;
- a intensidade do hábito;
- a duração dos períodos de apertamento ou deslizamentos.
São os proprioceptores do aparelho estomatognático que tem a função de escolher os locais de apertamento dos dentes e as trajetórias de deslizamento. O reconhecimento e trajetória desses locais é transmitido por próprio receptores do SNC pelo (V) par craniano da porção sensitiva, os sinais são transferidos para o núcleo motor do (V) par cranial e depois para a musculatura mastigatória.
BRUXISMO DIURNO E NOTURNO
O Bruxismo diurno é menos significativo que o noturno, por se apresentar em forma de aperto, não deixando seqüela de desgaste dental, dano periodontal, dano articular, nem erosões cervicais nos dentes. quase todos os seres humanos apertam os dentes com maior ou menor grau.
Já o paciente com Bruxismo noturno, sempre aperta no sentido lateral ou transversal, podendo ser prejudicial ao tecido periodontal, desgaste anterior e dos posteriores, erosões cervicais e com a continuação pode surgir articulações temporo-mandibular deteriorada, podendo ter espasmo no pterigóideo lateral, neste caso tendo desgaste de caninos opostos.
Okeson (1992) prova com estudos que durante a fase REM o acesso do Bruxismo é maior do que na fase não REM; explica com isso a causa da dor quando o indivíduo acorda.
Quando o paciente dorme de lado, pressionando a mandíbula, ocorre mais problemas, se há um contato prematuro ou uma contração muscular e/ou dano articulares que agravam ainda mais o estado do indivíduo. Se o indivíduo com Bruxismo noturno, utiliza uma guia anterior com desoclusão posterior nos movimentos extrínsecos de profusão, latero-protusão e lateralidade, não há possibilidade de nenhuma atividade parafuncional, porque no movimento em que o paciente tenta iniciar um processo de Bruxismo apertando os molares e pré-molares, dá início a uma excursão, os dentes anteriores são os únicos que apresentam fricção.Os dentes anteriores são os únicos que fisiológicamente suportam o atrito dental.
Indivíduos com Bruxismo noturno podem diminui-lo durante o sono, se tomar uma baixa dosagem de anti-depressivos, antes de deitar. As condições oclusivas exercem uma influência muito pequena na
atividade noturna; o stress emocional tem uma influência muito maior.
CLASSIFICAÇÃO DO BRUXISMO
O Bruxismo se classifica em:
I - Bruxismo Cêntrico:
Consiste de uma contração habitual dos músculos sem que haja uma
situação óbvia de urgência física ou psíquica.
O apertamento é mais comum durante o dia podendo ocorrer durante a
noite.
Indivíduos com Bruxismo cêntrico podem apresentar:
Aperto dos dentes em OC ou RC ou entre ambas, não há deslizamento, só
apertamento. Ocorre uma contração isométrica, os tecidos musculares tem
dificuldade para eliminar resíduos metabólicos; podem ter contatos prematuros
cêntricos com etiologia ou tensão emocional exacerbada, segundo Ranfjord,
(1987).
II - Bruxismo Excêntrico:
O autor relata ainda que este tem dupla etiologia; indivíduos com este tipo
de Bruxismo podem ter:
-Apertamento e deslizamento dos dentes na protusão e lateralidadeprotusiva.
- Os movimentos mandibulares são bordejantes.
- Podem ter contatos prematuros, cêntricos ou excêntricos.
- Contração muscular isotônica.
- Apresentam facetas de desgaste nos dentes anteriores e posteriores.
- A musculatura apresenta maior facilidade na eliminação de resíduos energéticos, ácidos e irritantes.
-Podem estar presentes a dor, disfunção, hipertonismo muscular e sensibilidade à palpação.
HÁBITOS OCLUSAIS RELACIONADOS AO BRUXISMO
A tendência habitual de morder objetos levados à boca, como hastes de
cachimbo, grampos de cabelo, ou de morder sobre o tecido mole bucal como
lábios, língua e bochechas, empurrar a língua contra os dentes, representa uma
descarga de tensão emocional ou psíquica.
Entretanto estas condições não tem, necessariamente, qualquer
associação com a desarmonia oclusal, como é o caso do Bruxismo.
O único efeito indireto, possível das interferências oclusais nessas
condições é um aumento na tonicidade muscular. O tônus muscular pode ser
diminuído pela terapêutica oclusal e pela remoção de fatores irritantes da boca.
A remoção das interferências oclusais podem tornar mais fácil superar
alguns destes hábitos; porém a mordida de lábios, língua, bochechas e unhas
podem também ser tomadas como um substituto para a tensão quando o canal, o
Bruxismo estiver sendo eliminado pela remoção de tais fatores oclusais
desencadeantes.
Existe também outros hábitos que podem ser associados a ocupação de
um indivíduo, mordida de fios por costureira, estofadores ou marceneiros
mantendo pregos entre seus dentes.
O ranger e o comprimir dos dentes conjuntamente pode ser precipitado por
desordem espástica de natureza local ou sistêmica.
Muitos destes hábitos podem ser controlados explicando o assunto para o
paciente
ETIOLOGIA DO BRUXISMO
Para Dawson (1993), a etiologia do Bruxismo não está completamente
clara.
Embora para ele este problema já esteja bastante elucidado, há muitas
observações não esclarecidas que indicam que ainda há muito o que aprender,
havendo mais que uma etiologia responsável pelo Bruxismo.
O Bruxismo tem sua etiologia através de agressões reprimidas, tensão
emocional, raiva, temor e a frustração, estes são os maiores causadores do
Bruxismo.
Molina (1976) expõe a etiologia do Bruxismo na visão psicológica com
exemplo de uma criança que atinge a fase de expressão oral e são reprimidas
durante a formação de fatores de auto segurança e de sintomas agressivos,
começam a apertar e deslizar os dentes como mecanismo de liberação de
emoções reprimidas.
Em indivíduos com raiva, medo reprimido, os hábitos de ranger e deslizar
os dentes são uma forma de liberar a tensão, devido estar armazenando a tensão
com longa duração.
A tendência de apertar ou esfregar os dentes sob sentimentos de raiva ou
agressão tem sido reconhecida desde os tempos bíblicos. Na literatura dental,
Tishler (1928), reconheceu o relacionamento potencial entre a condição neurótica
e o Bruxismo.
Tem sido dito que o Bruxismo é mais comum em pessoas neuróticas e
representa uma resposta a problemas que não podem ser resolvidos ou uma
inabilidade de expressar emoções como o ódio, agressão, sadismo, fúria e outros.
Seria uma sadia inconsciente para estas pessoas.
Tishler (1928) observou, também em seu estudo, que em indivíduos
neuróticos, o Bruxismo poderia ser iniciado até mesmo por fatores etiológicos
combinados, casos leves de traumas oclusais ou defeitos oclusais mínimos.
Segundo Molina (1976) , em seu estudo, mostra que o indivíduo com
Bruxismo, tem maior freqüência de problemas com desequilíbrio emocional, dor
de cabeça, prevalência muscular quando comparado com indivíduos normais.
Indivíduos que rangem os dentes, podem ter começado o hábito como um
mecanismo compensador.
Ranfjord (1987) e Dawson (1993), em seus estudos, dizem que o Bruxismo
pode ser crônico e também agudo. O hábito pode variar de intensidade em
épocas diferentes do indivíduo.
O Bruxismo também pode ser de etiologia oclusal, onde é possível ter
contato oclusais defeituosos entre a relação e oclusão cêntrica em indivíduos com
Bruxismo, disfunção na musculatura e na articulação temporo-mandibularO Bruxismo pode ter sua etiologia relacionada com o distúrbio do sono,
problemas emocionais crônicos, podendo estar presente o hábito no início da
erupção dos incisivos decíduos, continuar uma dentição permanente e também
em indivíduos que usam dentaduras.
Segundo Hanson (1988), Meklas (1971) relaciona a causa do Bruxismo
com a cavidade oral, sendo elas:
- discrepância entre a relação central e a oclusão;
- dentes inclinados ou mal posicionados;
- restaurações altas;
- inflamação crônica da região periodontal;
- cúspides excessivas e,
- restaurações mal esculpidas.
Hanson (1988) destaca também o estudo de Gallagher (1980), incluindo
também entre as etiologias os distúrbios gastrointestinais, alergias e distúrbios
endócrinos que são esses chamados de fatores sistêmicos.
Destes convém ressaltar o fator alérgico em que para Greco (1977),
significa uma relação íntima entre a taxa de IGE e a eosinofilia e o Bruxismo.
SINTOMATOLOGIA DO BRUXISMO
Estudos de Mosstch (1985), relatam que dentes móveis podem perturbar o
“feed-back” proprioceptivo e assim também estabelecer o Bruxismo.
O Bruxismo apresenta um esforço do paciente em aliviar a dor, desconforto
ou pressão causados por irregularidades dentárias ou moléstia por interferência
oclusal, causando sintomas como:
-fadiga da oclusão não mastigatória, devido a contração constante dos músculos mandibulares;
-músculo da mastigação forte excessivamente;
-estalos e dor na ATM
-irritabilidade e ou sensibilidade dentária;
-espasmos, fadiga e dor muscular;
-bochechas lábios e língua mordidas;
-dores de cabeça crônica, sendo a base para a dor uma circulação perturbada dos músculos;
-dentes frouxos.
Podem ter alteração dos tecidos periodontais, levando a seqüelas de
hipertrofia compensatória das estruturas periodontais.
Graber (1984), em seu estudo diz não haver evidência clínica de que o
Bruxismo desencadeie distúrbio periodontal. Ao contrário do que afirma Ranfjord
(1987) e Ash (1987).
Quando se ultrapassa o limite de adaptação fisiológica, os músculos
mastigatórios respondem com uma hipertonicidade, sendo um mecanismo
facilitador para os impulsos nervosos oclusal ou diminuir o umbral de
excitabilidade neuronial pela função nervosa ou dor , ou ambos de uma só vez.
Pacientes com hipertonicidade muscular e Bruxismo, os músculos
mastigatórios se tornam sensíveis a palpação e geralmente os pontos são os
bordos anterior e inferior do masseter e pterigóideo interno e a região temporal.
Indivíduos com Bruxismo queixam-se de sensação nos músculos maxilares
logo que acabam de acordar de manhã, ou sentem a mandíbula travada, sendo
necessário massagem no masseter e no temporal antes de poder realizar a
abertura da mandíbula.
DIAGNÓSTICO DO BRUXISMO
Para realizar o diagnóstico do Bruxismo, devem ser observados muitos
aspectos.
O som oclusal provocado pelas forças e atritos durante os períodos de
rangimento dental do indivíduo com Bruxismo nem sempre está presente e
quando está pode ser o diagnóstico mais importante. O som audível do Bruxismo
e o som surdo na percussão dental constituem os sinais principais para
diagnosticar os hábitos.
A grande maioria dos indivíduos bruxômanos, emite um som característico,
enquanto apertam os dentes. Algumas vezes o som é tão forte que pode acordar
o parceiro ou aqueles indivíduos que dormem nos quartos vizinhos.
Os indivíduos bruxômanos apresentam sinais e sintomas, como a
sensibilidade à palpação, a rigidez muscular do masseter e do temporal, as
facetas dos dentes anteriores com desgaste e ruído noturno de rangimento.
Para se fazer um bom diagnóstico, devem ser considerados todos os
elementos em conjunto para se ter certeza de que o indivíduo é um bruxômano.
O exame de mobilidade dental, análise de espaço periodontal, localização
de zonas
Com hipercementose e a reabsorção alveolar são elementos que não
devem semenosprezados.
Nunca se deve confiar apenas na anamnese para diagnosticar rangimento
dental. A grande maioria dos indivíduos responde que não range ou não sabe se
range os dentes durante a noite pelo motivo do hábito ser inconsciente.BRUXISMO EM CRIANÇAS
Ninguém que tenha ouvido, algumas vezes, o som rangente proveniente de
um quarto de criança, duvidaria que crianças fossem sujeitas a intenso Bruxismo.
Muitas crianças rangem os dentes, uma vez ou outra, pois interferências oclusais
se desenvolvem naturalmente durante a erupção dos dentes. Assim coloca
Dawson (1993), em afirmar que durante a idade da dentição mista, o Bruxismo é
comum e algumas crianças desenvolvem padrões de Bruxismo tão sérios que
podem desgastar seus dentes desciduos, até deixá-los planos.
Há inúmeras histórias populares para explicar o motivo das crianças
rangerem os dentes. A mais conhecida é provavelmente a que dizem que a
criança “tem vermes”.
Pode haver fatores diversos, que contribuem e aumentam a tendência ao
Bruxismo, sendo seus efeitos insignificantes na ausência de interferências
oclusais. O problema apesar do barulho, não costuma ser sério a ponto de causar
irritação ou quando o desgaste oclusal parecer ser mais extenso do que o normal
, algum ajuste oclusal pode ser planejado. Pode ser estudado a colocação de um
aparelho ortodôntico ou placa de mordida.
EFEITOS DO BRUXISMO SOBRE ATM
Podemos comparar o efeito do Bruxismo sobre a ATM por ser praticamente
iguais a indivíduos com distúrbios da ATM.
O fator principal de alteração patológica é a pressão excessiva, constante e
intensa sobre os componentes intra articulares, sobre os discos, a capsula e o
músculo pterigóideo lateral.
Aparentemente o grau de distribuição articular depende do tipo de oclusão,
idade, força mastigatória, número e posição de dentes e tipo de Bruxismo. Os
indivíduos mais afetados são aqueles portadores de mordida cruzada,
especialmente classe II de Angle e interferências oclusais grosseiras no lado de
balanceio.
Indivíduos bruxômanos nem sempre apresentam sintomas e sinais abaixo
relacionados:
-limite de abertura bucal
-restrição de movimentos mandibulares dirigidos para o lado esquerdo ou direito.
-fechamento mandibular em zigue – zague e outros sinais e sintomas
temporo-mandibular que podem estar associados.
Um sintoma que é causado normalmente é a dor, não sendo manifestada
durante a mastigação de alimentos duros. uma “ferroada” pode ser sentida tendo
início na região inferior do masseter e terminar na região da ATM.
EFEITOS DO BRUXISMO SOBRE AS ESTRUTURAS DENTAIS
O Bruxismo pode causar nas facetas, um desgaste no segmento ântero ou
posterior, nas bordas incisivo-linguais dos incisivos superiores.
Estes desgastes nas facetas, resultam do atrito dental constante durante as
fases de deslizamento e apertamento mandibular.
As facetas desgastadas nos incisivos inferiores e superiores se ajustam
entre si, determinando um Bruxismo diretamente protusivo, enquanto que as
facetas sobre os caninos resultam de Bruxismo protusivo ou lateral protusivo.
O apertamento dos dentes no segmento anterior da arcada, pode facilitar a
fratura de restauração e coroas, fraturas de restaurações classe III ou IV .
O desgaste excessivo dos dentes, especialmente dos dentes anteriores é
antiestético e as facetas tornam a restauração do dente muito difícil.
EFEITOS DO BRUXISMO SOBRE A MUSCULATURA
Pacientes com tensões emocionais aumentada têm como conseqüência o
tônus aumentado, originando uma oclusão desequilibrada.
A hipertonia muscular também resulta de um aumento na atividade
bruxística noturna e da nova posição mandibular que os proprioceptores
escolhem para posicionar a mandíbula, dependendo do número de interferências
oclusais.
Os músculos depressores (suprahioídeos e infrahioídeos) produzem rotação
da mandíbula e a boca abre pelos pterigoídeos laterais. Por outro lado, os
elevadores; para fechar a boca promovem a protusão (pterigoídeo medial).
Nesses movimentos observamos que o masseter em Bruxômanos contrai quatro
vezes mais que em não Bruxômanos.
Na ação de fechamento da mandíbula sobre os dentes com contato
prematuros induz a uma contração/estiramento da musculatura, diminuindo o
potencial de repouso.
Os efeitos do Bruxismo sobre a musculatura podem ser:
- tônus muscular aumentado;
- diminuição de espaço livre;
- espasmo muscular;
- contração muscular sustentada;
- perda dos períodos de repouso;
-dor de cabeça e outros.
EFEITOS DO BRUXISMO SOBRE O PERIODONTO
O efeito do Bruxismo sobre o periodonto são praticamente iguais aos do
trauma oclusal, com a diferença de que as alterações do Bruxismo são sobre toda
a dentição ou alguns dentes.
As estruturas periodontais podem apresentar uma resistência diminuída
com a idade e o esforço funcional.
Indivíduos com pouca resistência periodontal podem sofrer alterações e
enfraquecimento devido às forças do Bruxismo combinadas com a do músculo
hipertônico.
O Bruxismo pode alterar o aparelho de inserção, sendo este um fator
contribuinte para a doença periodontal
TRATAMENTO DO BRUXISMO
O tratamento do Bruxismo deve consistir em cinco objetivos básicos que
são:
-reduzir ao mínimo a tensão emocional do indivíduo;
- tentar eliminar ou diminuir os sinais e sintomas muscular e articulares do paciente;
- eliminar ao máximo contatos prematuros e interferências oclusais do indivíduo;
- melhorar o padrão de contração, estiramento, repouso alterado da musculatura;
- aumentar a estabilidade oclusal.
Os objetivos acima, podem ser alcançados através da auto sugestão que
tem o objetivo de conscientizar o hábito de ranger os dentes ao indivíduo.
Deve-se explicar sobre o hábito, etiologia, efeitos patológicos sobre a
dentição e o aparelho mastigatório, na visão de Molina (1976), Hanson (1988) e
Ranfjord (1987).
Na segunda fase o paciente deve afirmar várias vezes antes de dormir que
não vai apertar os dentes, caso isso ocorra, deverá acordar no momento em que
comece a apertar e deslizar.
É recomendável também, o paciente dormir com a ponta da língua sobre a
face lingual dos incisivos e caninos superiores e com os dentes fora de contato.
Este tratamento é paliativo.
Outro tipo de tratamento auxiliar no Bruxismo é a terapia de massa, usada
no estudo de Molina (1986). Neste tratamento a musculatura mastigatória do
paciente é forçada a entrar em fadiga por um processo de contração sustentada,
seguida de relaxamento alternado. A medida, repetida, provoca diminuição da
fadiga e conseqüente alívio.
Araújo (1988) acredita que a forma de tratamento para o Bruxismo são
exercícios coordenados com mordedor de borracha até o fortalecimento dos
músculos e a formação do “feed-back” cinestético, produzindo o gradativo
abandono do hábito e à medida que os músculos vão adquirindo sua tonicidade
normal, o indivíduo passa a ranger menos os dentes até parar totalmente.
Equilíbrio da oclusão, também usada por Molina (1976), é uma forma de
terapia. onde se observa os contatos prematuros e interferências oclusais em
todas as posições e movimentos mandibulares para mais tarde serem eliminados
progressivamente. A técnica poderá ser utilizada na dentição decídua, mista ou
permanente, inclusive em indivíduos com dentadura. O tratamento facilita a
liberdade de movimentos, em todas as posições e movimentos mandibulares,
elimina ou diminui a quantidade de imput proprioceptivo para o SNC, diminuindo a
irritação, super contração e super estiramento muscular.
Molina (1976) estudou também a placa de mordida que é o tratamento
utilizado com maior freqüência antes de se iniciar o tratamento por equilíbrio da
oclusão.
As placas de mordida ajudam a eliminar a informação proprioceptiva que
se origina no periodonto e ATM e por isto, auxiliam, rompendo o ciclo vicioso de
contração muscular sustentada.
Com o uso das placas oclusais e da terapia de equilíbrio da oclusão, os
músculos recuperam o tônus de contração e repouso fisiológico, o que ajuda a
eliminar ou diminuir os reflexos de apertamento dental.
Já as placas férulas , outro método de tratamento, devem ser
confeccionadas sem novas interferências oclusais e não devem invadir muito
espaço livre interoclusal e devem permanecer na boca por períodos curtos de
tempo. em alguns casos podem ser usadas por período de tempo mais
prolongados.
As placas na terapia oclusal podem ser usadasapenas como coadjuvantes
na terapia do Bruxismo, para evitar desgaste dental.
Há também o tratamento restaurador, estudado por Ranfjord (1987), que é
indicado quando uma oclusão estável e bem balanceada não pode ser
estabelecida apenas através do ajuste oclusal.
As restaurações oclusais também podem ser indicadas para substituir ou
prevenir a perda excessiva de substância dentária pelo Bruxismo.
Se o padrão de desgaste oclusal do paciente resultante de Bruxismo for
simplesmente duplicado nas restaurações, o Bruxismo e o desgaste continuam.
Quando o paciente tem dentaduras completas e Bruxismo severo é muito
difícil assegurar uma relação central correta.
Nos casos em pacientes com Bruxismo, em especial aqueles onde o
problema de oclusão não são tão importantes quanto o desequilíbrio emocional
do indivíduo, o bruxômano deverá ser tratado por uma equipe multi diciplinar.
O tratamento do Bruxismo é complexo e pode incluir terapia muscular,
reabilitação oclusal e o uso de substâncias medicamentosas para eliminar a dor e
a inflamação, reduzir o espasmo muscular, reproduzir e recuperar a oclusão do
indivíduo.
A terapia muscular elimina temporariamente reflexos muscular e contração
muscular viciadas.
Massagens, exercícios miorrelaxantes e calor úmido também são de
grande importância para indivíduos com Bruxismo. São capazes de romper
temporariamente o ciclo espasmo – dor – espasmo do paciente.
Vapores, gelados para dor na área de ATM, injeções anestésicas
diretamente na ATM ou nos músculos, tranqüilizantes, sedativos e relaxantes
musculares também são usados para eliminar Bruxismo de etiologia psicológica.
Já Hanson (1988), usa medicamentos relaxantes como forma de tratamento.
Para Dawson (1993), a maior dificuldade a ser enfrentada é quando o
paciente com Bruxismo desgasta toda a sua oclusão, até ficar plana e encurtar os
dentes anteriores dentro de uma relação topo a topo. O efeito do Bruxismo é fácil
de ser eliminado quando a guia anterior plana pode ser mantida, porém muitas
vezes o paciente deseja ter a estética anterior melhorada.
Dawson (1993), diz que angular a guia anterior quase sempre estimula a
parafunção.
O tratamento é feito aumentando a espessura do metal ou porcelana. O
paciente é informado previamente sobre a provável continuação do desgaste.
Algumas placas podem ser necessárias para oferecer estabilização
adicional contra o stress. A guia anterior deve ser realizada da maneira mais
meticulosa possível.
BRUXISMO X MÁ-OCLUSÃO.
Há muitas etiologias para desencadear o Bruxismo sendo o contato oclusal
defeituoso, uma delas. Baseado nesta etiologia será valiosa a busca dessa
relação entre o Bruxismo e a má-oclusão..
É de extrema importância o conhecimento das classificações da oclusão,
para poder relacionar com o Bruxismo.
Para Hanson (1984), a oclusão é uma função mandibular que se relaciona
com o movimento de aproximação dos dentes superiores e inferiores,
considerando que o arco dental superior é imóvel.
A oclusão vem a ser o movimento da mandíbula, saindo da posição de
repouso, onde há espaço livre e passando pelo ponto de contato dos planos
inclinados multidirecionais das cúspides.Segundo o estudo de Hanson (1984), na oclusão normal, as pontas incisais
dos dentes superiores se fecham contra a superfície lingual do seu antagonista
maxilar, deixando um terço da Coroa da Mandíbula escondida.
Marchesan (1993), e Petrelli (1992), mostram a classificação mais
conhecida entre o meio odontológico e fonoaudiológico, que baseia no 1º molar
superior, ocluindo sua cúspide mesiovestibular no sulco do 1º molar inferior.
Classificação esta que se divide em classes:
Classe I - Denomina-se quando a cúspide mesiovestibular do 1º molar superior
permanente oclui no sulco mesiovestibular do 1º molar inferior permanente. As
anomalias encontradas nessa classe são de posição dentária, podendo ser:
mordida aberta, mordida profunda, biprotusão e mordida cruzada.
Classe II - nesta a cúspide distovestibular do 1º molar superior oclui com o sulco
mesiovestibular do 1º molar inferior.
Esta classe apresenta duas divisões:
Divisão 1ª, os incisivos centrais encontram-se inclinados para vestibular
podemos encontrar associado a este tipo de má-oclusão, hábitos viciosos.
Divisão 2ª, os incisivos centrais encontram-se inclinados para linguais e os
laterais para vestibular. Segundo Petrelli (1992), na maioria destes casos são
encontrados a presença de mordida profunda.
Classe III - O molar inferior está à frente do molar superior. Estes casos estão
associados à mordida cruzada.
“Uma mordida atraente, equilibrada, estável e sã, pode ser considerada
normal ainda que existam ligeiras má posições”. Marchesan (1993).
Marchesan (1993), em seu estudo explica os tipos de mordida, sendo:
· Mordida Cruzada: Quando há uma inversão da oclusão do dente no
sentido vestibulo-lingual.
· Mordida Aberta Anterior: É quando os incisivos centrais superiores devem
encobrir em um terço os incisivos centrais inferiores.
· Mordida Aberta Lateral ou Posterior: Explica Howat (1992), que é raro
esse tipo de mordida, tendo diversos tipos e diferentes aspectos. São quase
sempre de etiologia dental e podem ser derivadas a implantação de um ou
mais dentes.
· Mordida Profunda: Howat (1992), coloca essa mordida em seu estudo,
sendo estipulada quando os incisivos inferiores contactam dentes ou tecidos
moles no arco dental superior.
Os indivíduos mais afetados pelo Bruxismo são aqueles portadores de
mordida cruzada, especialmente Classe II de Angle e interferênciais oclusais
grosseiras no lado de balanceio. Aparentemente devido a distribuição articular.
ANÁLISE DOS RESULTADOS
Através do conhecimento que pude obter ao fazer este estudo sobre
Bruxismo, visando sua etiologia, sintomatologia e tratamento, me ocorreu a
curiosidade de buscar o conhecimento na prática.
Observando indivíduos em uma Clínica Odontológica, noto que a maioria
dos indivíduos com Bruxismo possuem alterações em sua oclusão, sendo estas
alterações em sua mordida.
Relaciono aparecimento do Bruxismo com o tipo de mordida em cada
paciente. Avalio 60 indivíduos, sendo 20 com mordida aberta, 20 com mordida
profunda e 20 com mordida cruzada. Todos na faixa etária de 09 a 16 anos de
idade.
Tipo de Mordida Nº de Indivíduos
Mordida profunda Com Bruxismo 05
Mordida aberta Com Bruxismo 04
Mordida cruzada Com Bruxismo 19
Tipo de Mordida Nº de Indivíduos
Mordida profunda Sem Bruxismo 01
Mordida aberta Sem Bruxismo 16
Mordida cruzada Sem Bruxismo 01
Através dessa observação, creio que indivíduos possuidores de mordida
cruzada têm Bruxismo associado em maior número do que indivíduos com outros
tipos de mordida. Não se desvinculando de outras etiologias importantes do
Bruxismo, como por exemplo a etiologia psíquica e outras que foram observadas
neste estudo.
Sendo assim, acho interessante acrescentar neste estudo depoimentos de
indivíduos Bruxômanos com faixa etária diferentes. Para isso os indivíduos
responderam três questões:
a) Quando e como você percebeu que tinha Bruxismo?
b) O que fez depois que soube que tinha Bruxismo e o que faz quando você o
percebe?
c) Você faz tratamento fonoaudiológico? Se sim, o que está achando? Se não,
pretende fazer e porque?
I - INDIVÍDUO
- C.B, 24 anos
“O ortodontista que me falou, pois até então eu só percebia os estalos na
região próxima ao ouvido, depois comecei a notar que isso se passava quando o
meu dia era muito agitado, aí eu ficava ansiosa e acabava apertando ou rangendo
os dentes. Cheguei a passar por uma avaliação fonoaudiológica encaminhada
pelo ortodontista, porque eu tinha a fala travada, ainda hoje faço sessões
fonoaudiológicas e as vezes uso uma placa que foi indicada pelo dentista, mas só
quando me sinto agitada e ansiosa, assim evito a dor. Quando não uso a placa e
meu dia é turbulento, sinto dor no rosto. Estou gostando das sessões
fonoaudiológicas , já notei resultados na minha fala, que antes era muito mais
travada, as dores diminuíram bastante com os relaxamentos e massagens no
rosto”.
II - INDIVÍDUO
- E.M.S, 40 anos
“ Eu primeiro percebi uma forte dor na região do ouvido e da cabeça,
cheguei a ir até o otorrinolaringologista e ao neurologista, até chegar ao
ortodontista e este me indicou uma placa, até aí eu não sabia o que era Bruxismo,
depois que iniciei terapia psicológica e fonoaudiólogica pude compreender e
saber quando começei a ter Bruxismo e foi quando eu era criança, eu ficava com
raiva porque meus pais me proibiam de tudo e então eu lembro que apertava
muito os dentes, fui relembrar disso a pouco tempo, agora sei que o problema que
tenho hoje é puramente emocional, e vem da minha infância. Hoje uso placa só
para dormir e estou tentando deixar de usá-la, quero resolver logo meus conflitos
emocionais que me deixam com tensão, aí sim poderei retirar a placa e superar
esses hábitos. Quando percebo que estou mordendo, faço algumas massagens
na região dolorida. Já faço terapia psicológica há cinco anos, hoje faço
fonoaudiologia e consegui perceber melhor meu corpo, observar quando e onde
dói”.
III- INDIVÍDUO
- R.S.M, 32 anos
“Percebi que rangia os dentes quando minha namorada percebeu e me falou,
antes disso eu sabia que tinha a dor, mas não sabia o porque. Isso me
incomodava e hoje em dia consigo perceber quando estou apertando; são nos
momentos de raiva e/ou ansiedade, quando tenho algo que tenho que fazer,
terminar e tenho tempo para entregar, aí sinto que mordo e também aperto os
dentes quando estou dirigindo.
Procurei um dentista, que fez uma placa para usar, a qual quebrei com duas
semanas de uso, até hoje não retornei para fazer outra. Até agora não deu tempo,
pois tenho um serviço muito agitado e sei que estou piorando. Sinto, porque agora
sei que aperto os dentes e quando aperto. Mas não consegui parar, sei que
preciso da placa e de exercícios. Não faço fonoaudiologia, mas minha namorada
fica “pegando no meu pé” para que eu faça os exercícios e massagens que ela
me ensinou.”
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A maior parte dos indivíduos realizam atividades de Bruxismo em alguma
fase de suas vidas, em graus variados.
Indivíduos com Bruxismo, devem ser analisados como um todo, pelo fato
de sua etiologia principal ser a tensão e a infelicidade.
Muitos indivíduos têm Bruxismo e não sabem, justamente por ser um
hábito inconsciente.
Os tecidos do sistema mastigatório geralmente se adaptam a este
comportamento, com desgaste dental ou remodelação dos componentes
articulares. Em alguns indivíduos, entretanto, a capacidade para adaptação é
superada por forças acumulativas desta parafunção, resultando em dor e
disfunção do sistema mastigatório.
É de extrema importância o profissional deixar seu paciente consciente de
sua patologia e de suas necessidades para saná-las, buscando um tratamento
adequado.
A etiologia multifatorial do Bruxismo leva à variedade de opções de
tratamento, embora mais aceito é que o bruxismo seja de causa emocional,
oclusal ou ambas associadas levando a tratamento psicológico e/ou correção
oclusal.
Pelo fato da etiologia oclusal existir, desencadeando o Bruxismo a relação
de que o Bruxismo está predisposto em indivíduos com mordida cruzada, leva os
profissionais ter em mente que mesmo utilizando o tratamento indicado para o
fator etiológico primário, pode não se conseguir interromper o Bruxismo.
Muitas vezes nos de Mesmo assim, deve se usar as terapias para
prevenção dos danos aos componentes do sistema mastigatório.
paramos com casos que sem o estudo adequado não conseguimos
resultados satisfatórios.
Este estudo me incentivou em desenvolver um trabalho mais direcionado
com indivíduos portadores deste distúrbios.
Nós profissionais temos que nos aperfeiçoar cada vez mais na pesquisa e
em atualizações, para podermos estar sempre à frente, tanto no mercado de
trabalho como na atuação e desenvolvimento terapêutico com aqueles que nos
procuram nos consultórios, com o objetivo de solucionar seus problemas.
Sugiro para estudos futuros que profissionais pesquisem mais sobre este
tema tão pouco difundido dentro da área fonoaudiológica, pois pesquisar é a arte
de aprender e se aperfeiçoar a cada dia.
Mesmo assim, deve se usar as terapiaspara prevenção dos danos aos
componentes do sistema mastigatório.
Através desse estudo obtive dados ricos desta patologia tão presente em
nossos consultórios.
BIBLIOGRAFIA
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BONACIN FILHO, V. Bruxismo. São Paulo, Antie, 1988.
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RUBIANO, M.C. Placa neuromiorrelaxante. São Paulo, Koogan, 1995.
TISHLER, B. Oclusal habit neuroses, D. Cosmos, July, 1928.
Artigo sobre Bruxismo
Bruxismo: Uma revisão da literatura.
Emanoel Gama - Graduando em Odontologia (Faculdades São José).
Aurimar de Oliveira Andrade - Prof. de Endodontia e Trabalho de Conclusão de Curso – Faculdades São José.
Riva Marques Campos - Profa. de Clínica Integrada I e Clínica Integrada III – Faculdades São José
INTRODUÇÃO
O termo bruxismo vem do grego “bruchein” e significa apertamento, fricção ou atrito dos dentes. Em
1907, foi utilizado o termo “Bruxomania”, na literatura odontológica e em 1931, foi substituído por “Bruxismo”(
SILVA & CANTISANO – 2009). Pode ser definido como uma atividade involuntária e hábito parafuncional,
sendo caracterizado pelo ato de ranger ou apertar os dentes, tendo manifestação no período
diurno (bruxismo cêntrico) ou noturno (bruxismo excêntrico) (GONÇALVES & TOLEDO – 2010). O bruxismo
é considerado a atividade parafuncional mais danosa, que pode ocorrer de forma consciente, quando
se mordem lápis, caneta, cachimbo, lábios, bochechas ou dedos, ou inconscientemente. O ato de ranger os
dentes ocorre frequentemente durante o sono, apresenta-se em contrações musculares rítmicas com uma
força maior do que a natural, provocando atritos e ruídos fortes ao ranger os dentes, e que não podem ser
reproduzidos nos períodos de consciência (GONÇALVES & TOLEDO – 2010), além de fatores como preocupação,
problemas emocionais, agressão reprimida, raiva, medo, estresse e excitação, são acompanhados
por ruídos notáveis (DINIZ & SILVA – 2009). O bruxismo é um fenômeno que vem se tornando cada vez
mais freqüente dentro do consultório odontológico e durante muito tempo foi considerado como uma
manifestação oral normal, de implicações estritamente locais. Diversos estudos se justificam pela vasta prevalência
de pacientes, como crianças e adultos de ambos os sexos e vários fatores etiológicos predispõem
uma pessoa ao desenvolvimento do bruxismo, através de fatores psicológicos, ansiedade, estresse e situações
emocionais (DINIZ & SILVA – 2009 ; GIMENES – 2008).
Na clínica odontológica, é comum observar desgaste ex¬cessivo nas faces oclusais e incisais das
superfícies dentárias, principalmente na dentição decídua. Durante a infância, o bruxismo é
mais severo nas crianças em idade pré-escolar devido às características estruturais e funcionais
dos dentes decíduos, embora também apareça em crianças maiores e na dentição permanente
(DINIZ & SILVA – 2009) e o tratamento para este fenômeno é ainda discutível, sendo de responsabilidade
do cirurgião dentista proceder a um bom exame clínico, identificar e diagnosticar
os sinais e sintomas de forma precoce, para que não haja danos oclusais.O objetivo deste trabalho foi realizar uma revisão da literatura, de modo a guiar o cirurgião dentista à importância
da identificação e diagnóstico precoce do bruxismo, possibilitando um tratamento menos invasivo
e multidisciplinar, acrescido de uma terapia de controle que impedirá um conseqüente desgaste oclusal.
REVISÃO DE LITERATURA
Classificação do Bruxismo
Os aspectos clínicos do problema e possibilidades de tratamento para os pacientes portadores de bruxismo
são tratados de forma abrangente. Outros nomes têm sido usados para descrever este quadro e dentre eles,
neuralgia traumática, bruxomania, friccionar/ranger de dentes, briquismo, apertamento e parafunção oral
(MACEDO – 2008). Como é considerada uma atividade parafuncional mais danosa e destrutiva das cristas
oclusais, é definindo como uma forma involuntária e inconsciente, caracterizada pelo ato de ranger, apertamento
maxilo-mandibular ou movimento de deslizamento dos dentes, tendo manifestação no período
diurno, chamado bruxismo cêntrico e durante o sono, bruxismo excêntrico.
O bruxismo do sono se diferencia do bruxismo diurno por envolver distintos estados de consciência, isto
é, sono e vigília, e diferentes estados fisiológicos com diferentes influências na excitabilidade oral motora.
Assim, o bruxismo diurno é caracterizado por uma atividade semi-voluntária da mandíbula, de apertar os
dentes enquanto o indivíduo se encontra acordado, onde geralmente não ocorre o ranger de dentes, e está
relacionado a um tique ou hábito vicioso, como por exemplos, contatos entre dente e corpo estranho, podem
citar o ato de morder lápis, caneta, cachimbo, ou entre dentes, membrana e mucosa, o ato de morder
o lábio, língua, bochechas e chupar dedos, sendo caracterizado como bruxismo cêntrico (GIMENES – 2008;
MACEDO – 2008). O bruxismo excêntrico, ou do sono é uma atividade inconsciente de ranger ou apertamento
e deslizamento dos dentes nas posições protrusivas e latero-protrusivas, com produção de sons, enquanto
o indivíduo encontra-se dormindo. O bruxismo do sono, também é chamado de bruxismo noturno,
mas o termo mais apropriado é bruxismo do sono, pois o ranger de dentes pode também se desenvolver
durante o sono diurno (MACEDO – 2008).
Na classificação Internacional de desordens do sono, está parafunção pode ser encontrada na forma leve,
moderada e severa, quando ocorrem danos oclusais e das estruturas do sistema estomatognático. Existe
uma subdivisão (primária), onde não há causa médica evidente. Por outro lado, a secundária é uma corrente
de transtornos clínicos, neurológicos ou psiquiátricos relacionados a fatores iatrogênicos (uso ou retirada
de substância ou medicamento) ou a outros transtornos do sono. Paralelamente, pode ser classificado
em crônica, onde há uma adequação biológica e funcional do organismo e aguda, quando por alguma
razão o processo se torna agressivo e ultrapassa a capacidade biológica de adaptação e defesa do sistema,
originando os sinais clínicos ( SILVA & CANTISANO – 2009).
Algumas pesquisas mostram a prevalência de pacientes, como crianças e adultos de ambos os sexos e
vários fatores etiológicos, que predispõem uma pessoa ao desenvolvimento do bruxismo, através de fatores
locais, hereditários, psicológicos, ansiedade, estresse e situações emocionais (DINIZ – 2009 ; GIMENES –
2008). Alguns dos sinais e sintomas que podem ser apresentados pelos pacientes seriam caracterizados
pela hipertrofia muscular, presença de desgaste nas bordas incisais, nos dentes anteriores, facetas dentais
polidas, incremento da linha alba, na mucosa jugal, endentações no bordo lateral da língua, dor na musculatura
facial, entre outros (GIMENES – 2008).
Prevalência e Etiologia
Diversos estudos se justificam pela vasta prevalência de pacientes, como crianças e adultos de ambos os
sexos e vários fatores etiológicos predispõem uma pessoa ao desenvolvimento do bruxismo. Através de
fatores locais, sistêmicos, hereditários, ocupacionais, psicológicos, ansiedade, e situações emocionais, estando
fortemente correlacionada a eventos de estresse experimentados pelos indivíduos (DINIZ – 2009 ;
GIMENES – 2008). Alguns estudos sobre a etiologia do bruxismo ainda são inconclusivos. Os pesquisadores têm sugerido que fatores locais, como a maloclusão, estão perdendo a importância, enquanto os fatores
cognitivos comportamentais como o estresse, ansiedade e traços da personalidade estão ganhando mais atenção.
O foco atual está voltado para o fato de que o bruxismo faz parte de uma reação de despertar. Essa
atividade parafuncional, parece ser modulada por vários neurotransmissores do Sistema Nervoso Central,
mas não se pode afirmar que tenha regulação apenas central. Dessa forma, o bruxismo pode ser associado
às disfunções crânio mandibulares, incluindo dor de cabeça, Disfunção Têmporo Mandibular (DTM), dor
muscular, perda precoce de dentes devido à atrição excessiva e mobilidade, além da interrupção do sono
do indivíduo e de seu companheiro de quarto (GONÇALVES & TOLEDO – 2010). Alguns estudos têm
mostrado a estreita relação entre o bruxismo e algumas patologias, como as desordens respiratórias e a
Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono. Paralelamente, hábitos bucais como sucção de dedo, onicofagia,
morder objetos, entre outros, podem ser comuns e ocorrer de forma transitória. Entretanto, quando esses
excedem a tolerância fisiológica, o sistema pode entrar em colapso e prejudicar a saúde dos indivíduos
(GONÇALVES & TOLEDO – 2010 ; DINIZ & SILVA – 2009).
Fatores locais
Dentre os fatores locais, pode-se observar maloclusões, traumatismo oclusal, contato prematuro, reabsorção
radicu¬lar, presença de cálculo dental, cistos dentígeros, dentes per¬didos, excesso de material
restaurador e tensão muscular. No entanto, alguns autores observaram que a presença de maloclusão não
aumenta a probabilidade de a criança de¬senvolver bruxismo. Existem evidências de que o bruxismo em
crianças pequenas, pode ser conseqüência da imaturidade do sistema mastigatório neuromuscular. Outros
autores associam a presença de bruxismo ao tempo de aleitamento materno e observam que quanto mais
prolongado o aleitamento materno, menor a ocorrência de hábitos orais nocivos, como o bruxismo (DINIZ
& SILVA – 2009).
A criança pode desenvolver bruxismo após a erupção dos incisivos centrais decíduos, ocasionando dilacerações
gengivais nos casos em que o antagonista ainda não erupcionou. O bruxismo infantil pode ser caracterizado
pela presença de desgastes da superfície dentária, desconfortos musculares e articulares, atuando
como coadjuvante na pro¬gressão da doença periodontal destrutiva e contribuindo para o desenvolvimento
de falsa Classe III, além de acelerar a rizólise de dentes decíduos e provocar alterações na cronologia
de erupção dos dentes permanentes. Descreve-se, também, a possibilidade de o bruxismo favorecer o
apinhamento dental (GONÇALVES & TOLEDO – 2010 ; DINIZ & SILVA – 2009).
Os efeitos do bruxismo no periodonto são visualizados por intermédio de agravamento da doença periodontal,
perda de inserção acelerada e perdas ósseas verticais ou anguladas, nas regiões de maior trauma.
Em presença de saúde periodontal, recessões generalizadas, reabsorção da crista óssea alveolar horizontal,
espessamento da lâmina dura, podendo gerar hipercementose e cementomas visualizados através de radiografias.
Adicionalmente, os traumas dentais são responsáveis por fraturas dentais, principalmente se desvitalizados,
por serem mais friáveis. Podem também causar extrusão dental por inflamação do ligamento
periodontal. O dente extruído, por sua vez sofrerá ainda mais trauma, levando à mobilidade e agravamento
da condição. Como o bruxismo pode ser caracterizado apenas pelo apertamento, nem sempre o desgaste
dentário é evidente. É possível que o paciente apresente mobilidade de elementos isolados como únicos
sinais do bruxismo ou somente espessamento da lâmina dura e histórico de fratura recorrente de restaurações
(PRIMO et al. – 2009).
Fatores Sistêmicos
As condições sistêmicas como as alteração do trato digestivo, deficiências nutricionais e vitamínicas, alergias,
parasitoses intestinais, distúrbios otorrinolaringoló¬gicos, desequilíbrio endócrinas, Síndrome de Down e
deficiência mental, podem estar relacionados ao desenvolvimento do hábito (SILVA & CANTISANO – 2009
; GONÇALVES & TOLEDO – 2010 ; DINIZ & SILVA – 2009). Os pesquisadores observaram uma associação
positiva entre problemas respiratórios durante o sono, como a obstrução das vias aéreas devido à hiperplasia
tonsilar, e a presença de bruxismo em crianças. Os autores relataram que, após a cirurgia de adenóides e
tonsilas, as crianças apresentaram uma melhora significativa no quadro de bruxismo (SILVA & CANTISANO
– 2009 ; DINIZ & SILVA – 2009).
As funções orgânicas são controladas, principalmente, pelo sistema nervoso central (SNC), através de
atividades voluntárias e involuntárias. As atividades involuntárias são controladas pelo Sistema Nervoso
Autônomo (SNA), subdividido em simpático e parassimpático. O sistema simpático sobressai-se em situações
de estresse e o parassimpático, por sua vez, em situações de repouso. No período de sono ocorre um
predomínio da atividade parassimpática. Porém, no início do sono REM (rápido movimentodos olhos) que
ocorre de 6 a 8 vezes durante o sono, há uma redução da atividade parassimpática e um aumento da atividade
simpática, denominada de micro despertar. Este corresponde a despertares curtos com duração de 3
a 15 segundos, que aumentam a atividade alfa e delta cerebral demonstrada por meio de eletro encefalograma
que, possivelmente, sejam controlados por vários neurotransmissores do SNC, principalmente pelo
sistema dopaminérgico. A dopamina pode causar o aumento dos batimentos cardíacos, náuseas, aumento
do tônus dos músculos supra-hióideos e início da atividade muscular mastigatória rítmica do masseter e,
conseqüentemente, o ranger de dentes. Também vaso constrição, assim se houver a contração anormal dos
músculos a falta de vascularização causará a dor (PRIMO et al. – 2009).
Fatores Psicológicos
As fortes tensões emocionais, problemas familiares, crises exis¬tenciais, estado de ansiedade, depressão,
medo e hostilidade, crianças em fase de auto-afirmação, provas escolares ou mesmo a prática de esportes
competitivos e campeonatos podem atuar como fatores de origem psicológica (GONÇALVES & TOLEDO
– 20100).
Fatores Emocionais
A ansiedade tem sido o fator emocional mais estudado em crianças e o bruxismo é considerada uma resposta
de escape, uma vez que a cavidade bucal possui um forte potencial afetivo, além de ser um local
privilegiado para a expressão de impulsos reprimidos, emoções e conflitos. Dessa forma, algumas crianças
por não conseguirem satisfazer seus anseios, desejos e necessidades, acabam por ranger ou apertar os dentes
para compensar tais problemas ou como uma forma de auto-agressão (DINIZ & SILVA – 2009 ; ZENARI
& BITAR - 2010). As variações na personalidade da criança muitas vezes são responsáveis pelo desenvolvimento
deste hábito (DINIZ & SILVA – 2009). Em adultos, estudos realizados apontaram o estresse como o
principal causador do problema, assim como ações emocionais, agressão reprimida, ansiedade, raiva, medo
e diversos tipos de frustrações, depressão, distúrbios do sono, falta de higiene do sono, uso de psicofármacos
ou estado de dor (crônica em especial) (GIMENES – 2008). O consumo de bebidas xânticas (café, chá,
chocolate, refrigerante tipo coca cola), anfetaminas, álcool e tabaco podem estar envolvidos, uma vez que,
estimulando o sistema nervoso central, aumentam ansiedade e estresse (SILVA & CANTISANO – 2009).
Fatores Hereditários
Com relação aos fatores hereditários, um estudo sobre pre¬disposição genética confirmou que pais que
possuíam o hábito na infância freqüentemente apresentam filhos que apertam ou rangem os dentes,o que
sugere uma predisposição hereditária, embora o modo de transmissão ainda seja desconhecido (DINIZ &
SILVA – 2009).
Fatores Ocupacionais
Os fatores ocupacionais estão relacionados com atividades físicas, profissionais e mentais, alguns
relacio¬nados ao comportamento e condições físicas (por exemplo, mioespasmo muscular, enurese noturna,
cólica, excessiva salivação noturna e conversar dormindo) apresentaram dife¬rença significativa entre
pacientes com e sem o hábito (SILVA & CANTISANO – 2009).
SINAIS E SINTOMAS
O bruxismo é uma doença de características multiplofatoriais e com desgaste oclusais severo, devendo
o clínico estar atendo aos diversos sinais e sintomas para um correto diagnóstico. Alguns dos sinais que
podem ser apresentados pelos pacientes, seriam caracterizados pela hipertrofia muscular e a presença de desgaste nas bordas incisais nos dentes anteriores. Este é o alerta primário para a presença do dano, entre
outros existem facetas dentais polidas, incremento da linha alba, na mucosa jugal, edentações no bordo
lateral da língua. Além disso, o desconforto de familiares também pode ser um alerta para o problema, no
momento em que identificam ruídos durante o sono do paciente, decorrente da atrição Isto, muitas vezes
não é percebido pelo portador (GIMENES – 2008 ; DEKON & PELLIZZER – 2003). Ainda em relação aos
sinais, no elemento dental, o que se observa, além da presença de facetas, é a formação de trincas, erosão
cervical, fraturas coronárias ou de restaurações. Em relação aos sintomas, nem sempre a dor está associada
à queixa principal. Entretanto, há sintomatologia em que a dor encontra-se acompanhada e pode se
manifestar em diversas estruturas do Sistema estomatognático, como músculos, Articulação Têmporo Mandibular
ou até nos próprios dentes. Quando isso ocorre, o paciente procura precocemente o tratamento,
antes que resulte em grandes danos para a estrutura dentária. Conseqüentemente, quando ocorre uma
adaptação fisiológica dessas estruturas, o maior prejudicado é o próprio dente, que vai perdendo estrutura
(esmalte e dentina) de maneira gradativa, e apresenta destruição das estruturas periodontais, representada
pela perda óssea, resultando em mobilidade, pericementite e até abscesso periodontal, podendo em alguns
casos evoluir para um comprometimento da polpa, resultando em pulpite ou necrose pulpar, tudo isso, associado
à dor ou desconforto, e, em estágios avançados, perda do elemento dental (DINIZ & SILVA – 2009
; DEKON & PELLIZZER – 2003).
POSSIBILIDADES DE TRATAMENTOS
O tratamento para este fenômeno parafuncional é ainda discutível, sendo de responsabilidade do cirurgião
dentista proceder a um bom exame clínico e intervir para que não haja danos severos oclusais, uns dos
grandes problemas nos casos de pacientes “bruxômanos” que são informados e conscientizados do seu
estado, quando o quadro clínico já tomou proporções avançadas. Este tratamento consiste em um trabalho
multidisciplinar que abrange a odontologia, a medicina e a psicologia. A odontologia normalmente atua
em procedimentos restauradores, tratamento ortodôntico e placa miorelaxante. Em algumas situações,
pode haver a necessidade de um tratamento sistêmico com uso de medicação parafuncional e tratamento
médico, além de aconselhamento psicológico (GONÇALVES & TOLEDO – 2010 ; DINIZ & SILVA – 2009).
Tratamentos Odontológicos
No tratamento odontológico para o bruxismo, a principal intervenção clínica deve ser voltada para a proteção
do dente, reduzindo o ranger, aliviando dores faciais e temporais e promovendo melhorias na qualidade
do sono, incluído ajuste oclusal e restauração da superfície dentária, devido à severidade do desgaste.
Quando iniciado o tratamento com o uso da placa de mordida, essa placa oclusal é um dispositivo interoclusal
removível, que abrange todos os dentes de um dos arcos, geralmente o superior, que se ajusta nas
incisais e oclusais dos dentes, criando contato oclusal prévio com os dentes do arco oposto. É também conhecido
como protetor noturno, aparelho interoclusal ou até mesmo aparelho ortopédico. Este dispositivo é
comumente usado nos hábitos parafuncionais como o bruxismo e as DTMs. A sua função é a obtenção de
um diagnóstico diferencial, para problemas de atividade muscular anormal, para o alívio da dor nas fases
agudas nos casos de hábitos parafuncionais e como proteção para os dentes do atrito de cargas traumáticas
nos casos de bruxismo. É portanto, um aparelho não invasivo, de efeito reversível, o que é sempre desejável
em casos de problemas com origens complexas (GIMENES – 2008 ; OLIVEIRA & CARMO – 2000). Os
principais requisitos para inserir uma placa interoclusal, em criança é que ela seja bem ajustada e estável. Ela
deve assentar totalmente sem inclinação ou báscula produzida quando os dentes opostos se contatam com
ela, visa a reduzir a atividade parafun¬cional, desprogramar e induzir ao relaxamento muscular, obter uma
proteção dos dentes contra a atrição e desgaste, balanceio dos contatos oclusais, bem como reposicionar a
mandíbula, colocando-a em uma relação normal com a maxila para alcançar um equilíbrio neuromuscular,
a placa de mordida tem como vantagem não interferir no processo de crescimento das arcadas dentárias
infantis ou alterar as suas características físicas, além de ser um tratamento reversível, de boa aceitação
pelas crianças e eficaz, tem a finalidade reduzir a atividade muscular, proporcionando maior conforto ao
paciente. O material de escolha para a confecção da placa deve ser à base de silicone, com espes¬sura de
aproximadamente três milímetros, estendendo-se da região vestibular à lingual, com superfície plana, o suficiente para prevenir a perfuração e aumentar a resistência ao impacto (SILVA & CANTISANO – 2009 ;
DINIZ – 2009 ; OLIVEIRA & CARMO – 2000).
Considerando ainda o tratamento dentário,deve-se ava¬liar a necessidade de ajustar a oclusão do paciente
e restaurar as superfícies dentárias e contornos com materiais adequados e indicados para cada caso.
Levando à necessidade de reconstrução oclusal. Para tal procedimento, é preciso analisar bem o antagonista
antes da escolha do material restaurador, devido à diferença da resistência. Ao desgaste por abrasão
entre os materiais empregados, para que não ocorra o insucesso do tratamento. Em alguns pacientes, o
tratamento ortodôntico se faz necessário (DINIZ – 2009 ; PRIMO et al. – 2009).
Tratamento Farmacológico
O profissional pode fazer uso de vários medicamentos, muitas vezes, apenas paliativos no tratamento do
bruxismo. Em ocorrência de dor, são prescritos analgésicos, anti-inflamatórios, miorelaxantes e também
são utilizados fármacos para casos agudos e graves do tipo benzodiazepínicos, anticonvulsivantes, betas
bloqueadores, agentes dopaminérgicos, antidepressivos, e relaxantes musculares são os mais usados, estes
quando fatores emocionais estiverem envolvidos. Porém, não há nenhuma droga de primeira eleição, os
fármacos são utilizados por um período curto de tempo, contudo esse tipo de tratamento não é seguro,
pois pode levar a dependência química e recidiva àapós suspensão (SILVA & CANTISANO – 2009 ; MACEDO
– 2008 ; PRIMO et al. – 2009).
TratamentoPsicológico
A teoria psicológica apontava o estresse e a ansiedade como fatores iniciadores ou perpetuadores do bruxismo.
As pesquisas atuais têm mostrado que fatores psicológicos não são os principais fatores, mas apenas
os agravamentos ou perpetuadores. Um estudo de variabilidade em pacientes com bruxismo para identificar
a correlação entre o distúrbio e a ansiedade. O que foi verificado é que, em 48% dos casos de bruxismo
estudados, a ansiedade tinha relação com o distúrbio (GIMENES – 2008). O tratamento psicológico
consiste emdiminuir e controlar o estresse psicológico do paciente, através de técnicas de relaxamento e
terapia comportamental baseada na higiene do sono, que tem por finalidade a correção de hábitos pessoais
e fatores ambientais que interferem na qualidade do sono, contudo nenhum desses tratamentos é baseado
em fortes evidências.
Tratamento Fisioterápico
A fisioterapia tem uma importância substancial no tratamento das disfunções temporomandibulares e do
bruxismo. As diversas técnicas de terapia manual e modalidades de eletroterapia são fortes aliados capazes
de restabelecer as funções normais do aparelho mastigatório e eliminar os sintomas. A hiperatividade
dos músculos mastigatórios nos “bruxômanos” ocasiona freqüentes isquemias musculares que levam a
desperdícios metabólicos e, conseqüentemente, à fadiga e dor muscular. A termoterapia usa calor como
mecanismo principal, provocando vaso dilatação, o que facilita a oxigenação das áreas afetadas, reduz os
sintomas musculares e efeito sedativo sobre os nervos motores. Terapias de relaxamento podem resultar
na eliminação dos resultantes metabólicos que sensibilizam os nociceptores e, em decorrência disto, ocorre
uma diminuição da dor. O TEES (estimulação eletroneuraltranscutânea) gera impulsos elétricos rítimicos
criando contrações involuntárias repetidas e relaxamento. Dessa forma, os espasmos vão sendo eliminados
e a circulação nos músculos afetados é aumentada. A acumpuntura já tem sua efetividade comprovada
por sua ação analgésica local (somatostatina) e central (encefalinas, dinorfinas, endorfinas); ação antiinflamatória
(cortisol); ação ansiolítica, e melhora da defesa imunológica. Dessa maneira, a Fisioterapia
constitui-se em um importante aliado na restauração normal do aparelho estomatognático, reversão de
quadros dolorosos e contribui para homeostase orgânica dos bruxômanos. Cabe ao cirurgião-dentista e ao
fisioterapeuta escolherem a terapêutica mais adequada para cada situação.
Tratamento Médico
Os profissionais da área neurológica têm grande responsabilidade no atendimento clinico, onde além dos
relaxantes musculares, analgésicos e anti-inflamatórios, têm sido utilizados medicamentos para o controleou tratamento do bruxismo. Atualmente, o que ainda é mais seguro fazer é apenas a prescrição sintomática
do bruxismo, já que uma infinidade de drogas (benzodiazepínicos, antidepressivos, catecolaminas, toxina
botulínica dentre outras) tem sido pesquisada sem sucesso, contudo, há um consenso sobre a melhor
indicação e protocolo de prescrição. Após o sistema dopaminérgico e a neurotransmissão central serem
apontados como moduladores dos episódios de bruxismo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O bruxismo vem se tornando cada vez mais freqüente em pacientes que procuram os consultórios odontológicos.
Desta forma, compete ao cirurgião dentista estar preparado a realizar um bom diagnóstico de
sinais e sintomas, com aspectos da identificação do problema, informando ao paciente da severidade do
caso que o acomete. Sabe-se também que, quanto maior a conscientização do paciente sobre o hábito,
melhor o prognóstico e mais motivado estará para o tratamento. Sendo assim, torna-se necessário que
o profissional esclareça ao “bruxômano”, quanto à relação entre o hábito parafuncional e os fatores desencadeantes,
dando-lhe orientações cabíveis e as possibilidades de tratamento. O profissional deve realizar
procedimentos odontológicos para preservação das estruturas dentárias, como uso de placa na terapia
oclusal, proporcionando condições de equilíbrio oclusal e/ ou mandibular, importante para proteção dos
elementos dentários, relaxamento dos músculos hipertrofiados, prevenindo também sobrecarga para a articulação
Têmporo Mandibular. Pode-se concluir que, independente dos fatores envolvidos na etiologia do
bruxismo, a terapia oclusal pode sempre ser indicada, pois promove conforto funcional e previne maiores
danos aos componentes do sistema mastigatório, evidenciando-se efeitos terapêuticos múltiplos sobre diversos
componentes do aparelho mastigador. Os danos causados aos portadores desta parafunção severa
poderão ser amenizados ou evitados, estabelecendo medidas terapêuticas adequada, promovendo uma
melhor qualidade de vida, uma vez que o tratamento definitivo ainda não foi totalmente elucidado.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. DEKON, S. F. C; PELLIZZER, E. P, et al. Reabilitação oral em paciente portador de parafunção severa.
Revista Odontológica de Araçatuba, Jan/ Jul.2003, v. 24, n.1, p.54-59.
2. DINIZ, M. B; SILVA, R. C. Bruxismo na infância: um sinal de alerta para odontopediatras. Artigo publicado
na revista Paul Pediatr. Mar. 2009, v.27, n.3, p.329-334.
3. GIMENES, M. C. M. Bruxismo aspectos clínicos e tratamentos. Artigo publicado na Jan. 2008. Disponível
em htt://WWW.portaleducação.com. br/odontologia/artigos/2008/bruxismo aspectos clínicos.Acesso
em 22/04/2012.
4. GONÇALVES, L. P. V; TOLEDO, O. A. et al. Relações entre bruxismo, fatores oclusais e hábitos locais.
Artigo publicado na revista Dental Press J. Orthod, Mar. 2010, v.15, n.2, p.97-104.
5. MACEDO, C. R. Bruxismo do sono. Revista Dental PressOrtodonOrtop Facial, Mar/Abr, 2008, v, 13,
n. 2, p. 18-22.
6. OLIVEIRA, M. E.; CARMO, M. R. C. Placa de mordida interoclusal para tratamento de bruxismo. Revista
do CROMG, 2000. v. 7, n. 3, p. 183-186.
7. PRIMO, P. P.; MIURA, C. S. N.; BOLETA-CERANTO, D. C. F. Considerações fisiopatologias sobre bruxismo.
Revista Ciência Saúde. UNIPAR,Umuarama, set./dez. 2009.v. 13, n. 3, p. 263-266.
8. SILVA, N. R. S; CASTISANO, M. H. Bruxismo etiologia e tratamento. Revista Brasileira de odontologia,
Jul/Dez. 2009, v, 66, n. 2, p. 223-226.
9. ZENARI, M. S; BITAR, M. L. Fatores associados ao bruxismo em crianças de 4 a 6 anos. Revista de Atualização
científica, Out/Dez. 2010, v.22, n.4, p. 465-472.
O termo bruxismo vem do grego “bruchein” e significa apertamento, fricção ou atrito dos dentes. Em
1907, foi utilizado o termo “Bruxomania”, na literatura odontológica e em 1931, foi substituído por “Bruxismo”(
SILVA & CANTISANO – 2009). Pode ser definido como uma atividade involuntária e hábito parafuncional,
sendo caracterizado pelo ato de ranger ou apertar os dentes, tendo manifestação no período
diurno (bruxismo cêntrico) ou noturno (bruxismo excêntrico) (GONÇALVES & TOLEDO – 2010). O bruxismo
é considerado a atividade parafuncional mais danosa, que pode ocorrer de forma consciente, quando
se mordem lápis, caneta, cachimbo, lábios, bochechas ou dedos, ou inconscientemente. O ato de ranger os
dentes ocorre frequentemente durante o sono, apresenta-se em contrações musculares rítmicas com uma
força maior do que a natural, provocando atritos e ruídos fortes ao ranger os dentes, e que não podem ser
reproduzidos nos períodos de consciência (GONÇALVES & TOLEDO – 2010), além de fatores como preocupação,
problemas emocionais, agressão reprimida, raiva, medo, estresse e excitação, são acompanhados
por ruídos notáveis (DINIZ & SILVA – 2009). O bruxismo é um fenômeno que vem se tornando cada vez
mais freqüente dentro do consultório odontológico e durante muito tempo foi considerado como uma
manifestação oral normal, de implicações estritamente locais. Diversos estudos se justificam pela vasta prevalência
de pacientes, como crianças e adultos de ambos os sexos e vários fatores etiológicos predispõem
uma pessoa ao desenvolvimento do bruxismo, através de fatores psicológicos, ansiedade, estresse e situações
emocionais (DINIZ & SILVA – 2009 ; GIMENES – 2008).
Na clínica odontológica, é comum observar desgaste ex¬cessivo nas faces oclusais e incisais das
superfícies dentárias, principalmente na dentição decídua. Durante a infância, o bruxismo é
mais severo nas crianças em idade pré-escolar devido às características estruturais e funcionais
dos dentes decíduos, embora também apareça em crianças maiores e na dentição permanente
(DINIZ & SILVA – 2009) e o tratamento para este fenômeno é ainda discutível, sendo de responsabilidade
do cirurgião dentista proceder a um bom exame clínico, identificar e diagnosticar
os sinais e sintomas de forma precoce, para que não haja danos oclusais.O objetivo deste trabalho foi realizar uma revisão da literatura, de modo a guiar o cirurgião dentista à importância
da identificação e diagnóstico precoce do bruxismo, possibilitando um tratamento menos invasivo
e multidisciplinar, acrescido de uma terapia de controle que impedirá um conseqüente desgaste oclusal.
REVISÃO DE LITERATURA
Classificação do Bruxismo
Os aspectos clínicos do problema e possibilidades de tratamento para os pacientes portadores de bruxismo
são tratados de forma abrangente. Outros nomes têm sido usados para descrever este quadro e dentre eles,
neuralgia traumática, bruxomania, friccionar/ranger de dentes, briquismo, apertamento e parafunção oral
(MACEDO – 2008). Como é considerada uma atividade parafuncional mais danosa e destrutiva das cristas
oclusais, é definindo como uma forma involuntária e inconsciente, caracterizada pelo ato de ranger, apertamento
maxilo-mandibular ou movimento de deslizamento dos dentes, tendo manifestação no período
diurno, chamado bruxismo cêntrico e durante o sono, bruxismo excêntrico.
O bruxismo do sono se diferencia do bruxismo diurno por envolver distintos estados de consciência, isto
é, sono e vigília, e diferentes estados fisiológicos com diferentes influências na excitabilidade oral motora.
Assim, o bruxismo diurno é caracterizado por uma atividade semi-voluntária da mandíbula, de apertar os
dentes enquanto o indivíduo se encontra acordado, onde geralmente não ocorre o ranger de dentes, e está
relacionado a um tique ou hábito vicioso, como por exemplos, contatos entre dente e corpo estranho, podem
citar o ato de morder lápis, caneta, cachimbo, ou entre dentes, membrana e mucosa, o ato de morder
o lábio, língua, bochechas e chupar dedos, sendo caracterizado como bruxismo cêntrico (GIMENES – 2008;
MACEDO – 2008). O bruxismo excêntrico, ou do sono é uma atividade inconsciente de ranger ou apertamento
e deslizamento dos dentes nas posições protrusivas e latero-protrusivas, com produção de sons, enquanto
o indivíduo encontra-se dormindo. O bruxismo do sono, também é chamado de bruxismo noturno,
mas o termo mais apropriado é bruxismo do sono, pois o ranger de dentes pode também se desenvolver
durante o sono diurno (MACEDO – 2008).
Na classificação Internacional de desordens do sono, está parafunção pode ser encontrada na forma leve,
moderada e severa, quando ocorrem danos oclusais e das estruturas do sistema estomatognático. Existe
uma subdivisão (primária), onde não há causa médica evidente. Por outro lado, a secundária é uma corrente
de transtornos clínicos, neurológicos ou psiquiátricos relacionados a fatores iatrogênicos (uso ou retirada
de substância ou medicamento) ou a outros transtornos do sono. Paralelamente, pode ser classificado
em crônica, onde há uma adequação biológica e funcional do organismo e aguda, quando por alguma
razão o processo se torna agressivo e ultrapassa a capacidade biológica de adaptação e defesa do sistema,
originando os sinais clínicos ( SILVA & CANTISANO – 2009).
Algumas pesquisas mostram a prevalência de pacientes, como crianças e adultos de ambos os sexos e
vários fatores etiológicos, que predispõem uma pessoa ao desenvolvimento do bruxismo, através de fatores
locais, hereditários, psicológicos, ansiedade, estresse e situações emocionais (DINIZ – 2009 ; GIMENES –
2008). Alguns dos sinais e sintomas que podem ser apresentados pelos pacientes seriam caracterizados
pela hipertrofia muscular, presença de desgaste nas bordas incisais, nos dentes anteriores, facetas dentais
polidas, incremento da linha alba, na mucosa jugal, endentações no bordo lateral da língua, dor na musculatura
facial, entre outros (GIMENES – 2008).
Prevalência e Etiologia
Diversos estudos se justificam pela vasta prevalência de pacientes, como crianças e adultos de ambos os
sexos e vários fatores etiológicos predispõem uma pessoa ao desenvolvimento do bruxismo. Através de
fatores locais, sistêmicos, hereditários, ocupacionais, psicológicos, ansiedade, e situações emocionais, estando
fortemente correlacionada a eventos de estresse experimentados pelos indivíduos (DINIZ – 2009 ;
GIMENES – 2008). Alguns estudos sobre a etiologia do bruxismo ainda são inconclusivos. Os pesquisadores têm sugerido que fatores locais, como a maloclusão, estão perdendo a importância, enquanto os fatores
cognitivos comportamentais como o estresse, ansiedade e traços da personalidade estão ganhando mais atenção.
O foco atual está voltado para o fato de que o bruxismo faz parte de uma reação de despertar. Essa
atividade parafuncional, parece ser modulada por vários neurotransmissores do Sistema Nervoso Central,
mas não se pode afirmar que tenha regulação apenas central. Dessa forma, o bruxismo pode ser associado
às disfunções crânio mandibulares, incluindo dor de cabeça, Disfunção Têmporo Mandibular (DTM), dor
muscular, perda precoce de dentes devido à atrição excessiva e mobilidade, além da interrupção do sono
do indivíduo e de seu companheiro de quarto (GONÇALVES & TOLEDO – 2010). Alguns estudos têm
mostrado a estreita relação entre o bruxismo e algumas patologias, como as desordens respiratórias e a
Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono. Paralelamente, hábitos bucais como sucção de dedo, onicofagia,
morder objetos, entre outros, podem ser comuns e ocorrer de forma transitória. Entretanto, quando esses
excedem a tolerância fisiológica, o sistema pode entrar em colapso e prejudicar a saúde dos indivíduos
(GONÇALVES & TOLEDO – 2010 ; DINIZ & SILVA – 2009).
Fatores locais
Dentre os fatores locais, pode-se observar maloclusões, traumatismo oclusal, contato prematuro, reabsorção
radicu¬lar, presença de cálculo dental, cistos dentígeros, dentes per¬didos, excesso de material
restaurador e tensão muscular. No entanto, alguns autores observaram que a presença de maloclusão não
aumenta a probabilidade de a criança de¬senvolver bruxismo. Existem evidências de que o bruxismo em
crianças pequenas, pode ser conseqüência da imaturidade do sistema mastigatório neuromuscular. Outros
autores associam a presença de bruxismo ao tempo de aleitamento materno e observam que quanto mais
prolongado o aleitamento materno, menor a ocorrência de hábitos orais nocivos, como o bruxismo (DINIZ
& SILVA – 2009).
A criança pode desenvolver bruxismo após a erupção dos incisivos centrais decíduos, ocasionando dilacerações
gengivais nos casos em que o antagonista ainda não erupcionou. O bruxismo infantil pode ser caracterizado
pela presença de desgastes da superfície dentária, desconfortos musculares e articulares, atuando
como coadjuvante na pro¬gressão da doença periodontal destrutiva e contribuindo para o desenvolvimento
de falsa Classe III, além de acelerar a rizólise de dentes decíduos e provocar alterações na cronologia
de erupção dos dentes permanentes. Descreve-se, também, a possibilidade de o bruxismo favorecer o
apinhamento dental (GONÇALVES & TOLEDO – 2010 ; DINIZ & SILVA – 2009).
Os efeitos do bruxismo no periodonto são visualizados por intermédio de agravamento da doença periodontal,
perda de inserção acelerada e perdas ósseas verticais ou anguladas, nas regiões de maior trauma.
Em presença de saúde periodontal, recessões generalizadas, reabsorção da crista óssea alveolar horizontal,
espessamento da lâmina dura, podendo gerar hipercementose e cementomas visualizados através de radiografias.
Adicionalmente, os traumas dentais são responsáveis por fraturas dentais, principalmente se desvitalizados,
por serem mais friáveis. Podem também causar extrusão dental por inflamação do ligamento
periodontal. O dente extruído, por sua vez sofrerá ainda mais trauma, levando à mobilidade e agravamento
da condição. Como o bruxismo pode ser caracterizado apenas pelo apertamento, nem sempre o desgaste
dentário é evidente. É possível que o paciente apresente mobilidade de elementos isolados como únicos
sinais do bruxismo ou somente espessamento da lâmina dura e histórico de fratura recorrente de restaurações
(PRIMO et al. – 2009).
Fatores Sistêmicos
As condições sistêmicas como as alteração do trato digestivo, deficiências nutricionais e vitamínicas, alergias,
parasitoses intestinais, distúrbios otorrinolaringoló¬gicos, desequilíbrio endócrinas, Síndrome de Down e
deficiência mental, podem estar relacionados ao desenvolvimento do hábito (SILVA & CANTISANO – 2009
; GONÇALVES & TOLEDO – 2010 ; DINIZ & SILVA – 2009). Os pesquisadores observaram uma associação
positiva entre problemas respiratórios durante o sono, como a obstrução das vias aéreas devido à hiperplasia
tonsilar, e a presença de bruxismo em crianças. Os autores relataram que, após a cirurgia de adenóides e
tonsilas, as crianças apresentaram uma melhora significativa no quadro de bruxismo (SILVA & CANTISANO
– 2009 ; DINIZ & SILVA – 2009).
As funções orgânicas são controladas, principalmente, pelo sistema nervoso central (SNC), através de
atividades voluntárias e involuntárias. As atividades involuntárias são controladas pelo Sistema Nervoso
Autônomo (SNA), subdividido em simpático e parassimpático. O sistema simpático sobressai-se em situações
de estresse e o parassimpático, por sua vez, em situações de repouso. No período de sono ocorre um
predomínio da atividade parassimpática. Porém, no início do sono REM (rápido movimentodos olhos) que
ocorre de 6 a 8 vezes durante o sono, há uma redução da atividade parassimpática e um aumento da atividade
simpática, denominada de micro despertar. Este corresponde a despertares curtos com duração de 3
a 15 segundos, que aumentam a atividade alfa e delta cerebral demonstrada por meio de eletro encefalograma
que, possivelmente, sejam controlados por vários neurotransmissores do SNC, principalmente pelo
sistema dopaminérgico. A dopamina pode causar o aumento dos batimentos cardíacos, náuseas, aumento
do tônus dos músculos supra-hióideos e início da atividade muscular mastigatória rítmica do masseter e,
conseqüentemente, o ranger de dentes. Também vaso constrição, assim se houver a contração anormal dos
músculos a falta de vascularização causará a dor (PRIMO et al. – 2009).
Fatores Psicológicos
As fortes tensões emocionais, problemas familiares, crises exis¬tenciais, estado de ansiedade, depressão,
medo e hostilidade, crianças em fase de auto-afirmação, provas escolares ou mesmo a prática de esportes
competitivos e campeonatos podem atuar como fatores de origem psicológica (GONÇALVES & TOLEDO
– 20100).
Fatores Emocionais
A ansiedade tem sido o fator emocional mais estudado em crianças e o bruxismo é considerada uma resposta
de escape, uma vez que a cavidade bucal possui um forte potencial afetivo, além de ser um local
privilegiado para a expressão de impulsos reprimidos, emoções e conflitos. Dessa forma, algumas crianças
por não conseguirem satisfazer seus anseios, desejos e necessidades, acabam por ranger ou apertar os dentes
para compensar tais problemas ou como uma forma de auto-agressão (DINIZ & SILVA – 2009 ; ZENARI
& BITAR - 2010). As variações na personalidade da criança muitas vezes são responsáveis pelo desenvolvimento
deste hábito (DINIZ & SILVA – 2009). Em adultos, estudos realizados apontaram o estresse como o
principal causador do problema, assim como ações emocionais, agressão reprimida, ansiedade, raiva, medo
e diversos tipos de frustrações, depressão, distúrbios do sono, falta de higiene do sono, uso de psicofármacos
ou estado de dor (crônica em especial) (GIMENES – 2008). O consumo de bebidas xânticas (café, chá,
chocolate, refrigerante tipo coca cola), anfetaminas, álcool e tabaco podem estar envolvidos, uma vez que,
estimulando o sistema nervoso central, aumentam ansiedade e estresse (SILVA & CANTISANO – 2009).
Fatores Hereditários
Com relação aos fatores hereditários, um estudo sobre pre¬disposição genética confirmou que pais que
possuíam o hábito na infância freqüentemente apresentam filhos que apertam ou rangem os dentes,o que
sugere uma predisposição hereditária, embora o modo de transmissão ainda seja desconhecido (DINIZ &
SILVA – 2009).
Fatores Ocupacionais
Os fatores ocupacionais estão relacionados com atividades físicas, profissionais e mentais, alguns
relacio¬nados ao comportamento e condições físicas (por exemplo, mioespasmo muscular, enurese noturna,
cólica, excessiva salivação noturna e conversar dormindo) apresentaram dife¬rença significativa entre
pacientes com e sem o hábito (SILVA & CANTISANO – 2009).
SINAIS E SINTOMAS
O bruxismo é uma doença de características multiplofatoriais e com desgaste oclusais severo, devendo
o clínico estar atendo aos diversos sinais e sintomas para um correto diagnóstico. Alguns dos sinais que
podem ser apresentados pelos pacientes, seriam caracterizados pela hipertrofia muscular e a presença de desgaste nas bordas incisais nos dentes anteriores. Este é o alerta primário para a presença do dano, entre
outros existem facetas dentais polidas, incremento da linha alba, na mucosa jugal, edentações no bordo
lateral da língua. Além disso, o desconforto de familiares também pode ser um alerta para o problema, no
momento em que identificam ruídos durante o sono do paciente, decorrente da atrição Isto, muitas vezes
não é percebido pelo portador (GIMENES – 2008 ; DEKON & PELLIZZER – 2003). Ainda em relação aos
sinais, no elemento dental, o que se observa, além da presença de facetas, é a formação de trincas, erosão
cervical, fraturas coronárias ou de restaurações. Em relação aos sintomas, nem sempre a dor está associada
à queixa principal. Entretanto, há sintomatologia em que a dor encontra-se acompanhada e pode se
manifestar em diversas estruturas do Sistema estomatognático, como músculos, Articulação Têmporo Mandibular
ou até nos próprios dentes. Quando isso ocorre, o paciente procura precocemente o tratamento,
antes que resulte em grandes danos para a estrutura dentária. Conseqüentemente, quando ocorre uma
adaptação fisiológica dessas estruturas, o maior prejudicado é o próprio dente, que vai perdendo estrutura
(esmalte e dentina) de maneira gradativa, e apresenta destruição das estruturas periodontais, representada
pela perda óssea, resultando em mobilidade, pericementite e até abscesso periodontal, podendo em alguns
casos evoluir para um comprometimento da polpa, resultando em pulpite ou necrose pulpar, tudo isso, associado
à dor ou desconforto, e, em estágios avançados, perda do elemento dental (DINIZ & SILVA – 2009
; DEKON & PELLIZZER – 2003).
POSSIBILIDADES DE TRATAMENTOS
O tratamento para este fenômeno parafuncional é ainda discutível, sendo de responsabilidade do cirurgião
dentista proceder a um bom exame clínico e intervir para que não haja danos severos oclusais, uns dos
grandes problemas nos casos de pacientes “bruxômanos” que são informados e conscientizados do seu
estado, quando o quadro clínico já tomou proporções avançadas. Este tratamento consiste em um trabalho
multidisciplinar que abrange a odontologia, a medicina e a psicologia. A odontologia normalmente atua
em procedimentos restauradores, tratamento ortodôntico e placa miorelaxante. Em algumas situações,
pode haver a necessidade de um tratamento sistêmico com uso de medicação parafuncional e tratamento
médico, além de aconselhamento psicológico (GONÇALVES & TOLEDO – 2010 ; DINIZ & SILVA – 2009).
Tratamentos Odontológicos
No tratamento odontológico para o bruxismo, a principal intervenção clínica deve ser voltada para a proteção
do dente, reduzindo o ranger, aliviando dores faciais e temporais e promovendo melhorias na qualidade
do sono, incluído ajuste oclusal e restauração da superfície dentária, devido à severidade do desgaste.
Quando iniciado o tratamento com o uso da placa de mordida, essa placa oclusal é um dispositivo interoclusal
removível, que abrange todos os dentes de um dos arcos, geralmente o superior, que se ajusta nas
incisais e oclusais dos dentes, criando contato oclusal prévio com os dentes do arco oposto. É também conhecido
como protetor noturno, aparelho interoclusal ou até mesmo aparelho ortopédico. Este dispositivo é
comumente usado nos hábitos parafuncionais como o bruxismo e as DTMs. A sua função é a obtenção de
um diagnóstico diferencial, para problemas de atividade muscular anormal, para o alívio da dor nas fases
agudas nos casos de hábitos parafuncionais e como proteção para os dentes do atrito de cargas traumáticas
nos casos de bruxismo. É portanto, um aparelho não invasivo, de efeito reversível, o que é sempre desejável
em casos de problemas com origens complexas (GIMENES – 2008 ; OLIVEIRA & CARMO – 2000). Os
principais requisitos para inserir uma placa interoclusal, em criança é que ela seja bem ajustada e estável. Ela
deve assentar totalmente sem inclinação ou báscula produzida quando os dentes opostos se contatam com
ela, visa a reduzir a atividade parafun¬cional, desprogramar e induzir ao relaxamento muscular, obter uma
proteção dos dentes contra a atrição e desgaste, balanceio dos contatos oclusais, bem como reposicionar a
mandíbula, colocando-a em uma relação normal com a maxila para alcançar um equilíbrio neuromuscular,
a placa de mordida tem como vantagem não interferir no processo de crescimento das arcadas dentárias
infantis ou alterar as suas características físicas, além de ser um tratamento reversível, de boa aceitação
pelas crianças e eficaz, tem a finalidade reduzir a atividade muscular, proporcionando maior conforto ao
paciente. O material de escolha para a confecção da placa deve ser à base de silicone, com espes¬sura de
aproximadamente três milímetros, estendendo-se da região vestibular à lingual, com superfície plana, o suficiente para prevenir a perfuração e aumentar a resistência ao impacto (SILVA & CANTISANO – 2009 ;
DINIZ – 2009 ; OLIVEIRA & CARMO – 2000).
Considerando ainda o tratamento dentário,deve-se ava¬liar a necessidade de ajustar a oclusão do paciente
e restaurar as superfícies dentárias e contornos com materiais adequados e indicados para cada caso.
Levando à necessidade de reconstrução oclusal. Para tal procedimento, é preciso analisar bem o antagonista
antes da escolha do material restaurador, devido à diferença da resistência. Ao desgaste por abrasão
entre os materiais empregados, para que não ocorra o insucesso do tratamento. Em alguns pacientes, o
tratamento ortodôntico se faz necessário (DINIZ – 2009 ; PRIMO et al. – 2009).
Tratamento Farmacológico
O profissional pode fazer uso de vários medicamentos, muitas vezes, apenas paliativos no tratamento do
bruxismo. Em ocorrência de dor, são prescritos analgésicos, anti-inflamatórios, miorelaxantes e também
são utilizados fármacos para casos agudos e graves do tipo benzodiazepínicos, anticonvulsivantes, betas
bloqueadores, agentes dopaminérgicos, antidepressivos, e relaxantes musculares são os mais usados, estes
quando fatores emocionais estiverem envolvidos. Porém, não há nenhuma droga de primeira eleição, os
fármacos são utilizados por um período curto de tempo, contudo esse tipo de tratamento não é seguro,
pois pode levar a dependência química e recidiva àapós suspensão (SILVA & CANTISANO – 2009 ; MACEDO
– 2008 ; PRIMO et al. – 2009).
TratamentoPsicológico
A teoria psicológica apontava o estresse e a ansiedade como fatores iniciadores ou perpetuadores do bruxismo.
As pesquisas atuais têm mostrado que fatores psicológicos não são os principais fatores, mas apenas
os agravamentos ou perpetuadores. Um estudo de variabilidade em pacientes com bruxismo para identificar
a correlação entre o distúrbio e a ansiedade. O que foi verificado é que, em 48% dos casos de bruxismo
estudados, a ansiedade tinha relação com o distúrbio (GIMENES – 2008). O tratamento psicológico
consiste emdiminuir e controlar o estresse psicológico do paciente, através de técnicas de relaxamento e
terapia comportamental baseada na higiene do sono, que tem por finalidade a correção de hábitos pessoais
e fatores ambientais que interferem na qualidade do sono, contudo nenhum desses tratamentos é baseado
em fortes evidências.
Tratamento Fisioterápico
A fisioterapia tem uma importância substancial no tratamento das disfunções temporomandibulares e do
bruxismo. As diversas técnicas de terapia manual e modalidades de eletroterapia são fortes aliados capazes
de restabelecer as funções normais do aparelho mastigatório e eliminar os sintomas. A hiperatividade
dos músculos mastigatórios nos “bruxômanos” ocasiona freqüentes isquemias musculares que levam a
desperdícios metabólicos e, conseqüentemente, à fadiga e dor muscular. A termoterapia usa calor como
mecanismo principal, provocando vaso dilatação, o que facilita a oxigenação das áreas afetadas, reduz os
sintomas musculares e efeito sedativo sobre os nervos motores. Terapias de relaxamento podem resultar
na eliminação dos resultantes metabólicos que sensibilizam os nociceptores e, em decorrência disto, ocorre
uma diminuição da dor. O TEES (estimulação eletroneuraltranscutânea) gera impulsos elétricos rítimicos
criando contrações involuntárias repetidas e relaxamento. Dessa forma, os espasmos vão sendo eliminados
e a circulação nos músculos afetados é aumentada. A acumpuntura já tem sua efetividade comprovada
por sua ação analgésica local (somatostatina) e central (encefalinas, dinorfinas, endorfinas); ação antiinflamatória
(cortisol); ação ansiolítica, e melhora da defesa imunológica. Dessa maneira, a Fisioterapia
constitui-se em um importante aliado na restauração normal do aparelho estomatognático, reversão de
quadros dolorosos e contribui para homeostase orgânica dos bruxômanos. Cabe ao cirurgião-dentista e ao
fisioterapeuta escolherem a terapêutica mais adequada para cada situação.
Tratamento Médico
Os profissionais da área neurológica têm grande responsabilidade no atendimento clinico, onde além dos
relaxantes musculares, analgésicos e anti-inflamatórios, têm sido utilizados medicamentos para o controleou tratamento do bruxismo. Atualmente, o que ainda é mais seguro fazer é apenas a prescrição sintomática
do bruxismo, já que uma infinidade de drogas (benzodiazepínicos, antidepressivos, catecolaminas, toxina
botulínica dentre outras) tem sido pesquisada sem sucesso, contudo, há um consenso sobre a melhor
indicação e protocolo de prescrição. Após o sistema dopaminérgico e a neurotransmissão central serem
apontados como moduladores dos episódios de bruxismo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O bruxismo vem se tornando cada vez mais freqüente em pacientes que procuram os consultórios odontológicos.
Desta forma, compete ao cirurgião dentista estar preparado a realizar um bom diagnóstico de
sinais e sintomas, com aspectos da identificação do problema, informando ao paciente da severidade do
caso que o acomete. Sabe-se também que, quanto maior a conscientização do paciente sobre o hábito,
melhor o prognóstico e mais motivado estará para o tratamento. Sendo assim, torna-se necessário que
o profissional esclareça ao “bruxômano”, quanto à relação entre o hábito parafuncional e os fatores desencadeantes,
dando-lhe orientações cabíveis e as possibilidades de tratamento. O profissional deve realizar
procedimentos odontológicos para preservação das estruturas dentárias, como uso de placa na terapia
oclusal, proporcionando condições de equilíbrio oclusal e/ ou mandibular, importante para proteção dos
elementos dentários, relaxamento dos músculos hipertrofiados, prevenindo também sobrecarga para a articulação
Têmporo Mandibular. Pode-se concluir que, independente dos fatores envolvidos na etiologia do
bruxismo, a terapia oclusal pode sempre ser indicada, pois promove conforto funcional e previne maiores
danos aos componentes do sistema mastigatório, evidenciando-se efeitos terapêuticos múltiplos sobre diversos
componentes do aparelho mastigador. Os danos causados aos portadores desta parafunção severa
poderão ser amenizados ou evitados, estabelecendo medidas terapêuticas adequada, promovendo uma
melhor qualidade de vida, uma vez que o tratamento definitivo ainda não foi totalmente elucidado.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. DEKON, S. F. C; PELLIZZER, E. P, et al. Reabilitação oral em paciente portador de parafunção severa.
Revista Odontológica de Araçatuba, Jan/ Jul.2003, v. 24, n.1, p.54-59.
2. DINIZ, M. B; SILVA, R. C. Bruxismo na infância: um sinal de alerta para odontopediatras. Artigo publicado
na revista Paul Pediatr. Mar. 2009, v.27, n.3, p.329-334.
3. GIMENES, M. C. M. Bruxismo aspectos clínicos e tratamentos. Artigo publicado na Jan. 2008. Disponível
em htt://WWW.portaleducação.com. br/odontologia/artigos/2008/bruxismo aspectos clínicos.Acesso
em 22/04/2012.
4. GONÇALVES, L. P. V; TOLEDO, O. A. et al. Relações entre bruxismo, fatores oclusais e hábitos locais.
Artigo publicado na revista Dental Press J. Orthod, Mar. 2010, v.15, n.2, p.97-104.
5. MACEDO, C. R. Bruxismo do sono. Revista Dental PressOrtodonOrtop Facial, Mar/Abr, 2008, v, 13,
n. 2, p. 18-22.
6. OLIVEIRA, M. E.; CARMO, M. R. C. Placa de mordida interoclusal para tratamento de bruxismo. Revista
do CROMG, 2000. v. 7, n. 3, p. 183-186.
7. PRIMO, P. P.; MIURA, C. S. N.; BOLETA-CERANTO, D. C. F. Considerações fisiopatologias sobre bruxismo.
Revista Ciência Saúde. UNIPAR,Umuarama, set./dez. 2009.v. 13, n. 3, p. 263-266.
8. SILVA, N. R. S; CASTISANO, M. H. Bruxismo etiologia e tratamento. Revista Brasileira de odontologia,
Jul/Dez. 2009, v, 66, n. 2, p. 223-226.
9. ZENARI, M. S; BITAR, M. L. Fatores associados ao bruxismo em crianças de 4 a 6 anos. Revista de Atualização
científica, Out/Dez. 2010, v.22, n.4, p. 465-472.
Bruxismo - placa de mordida
Este tratamento começa ao confeccionar uma placa para o paciente, para tanto molda-se a boca do paciente e envia o molde para um laboratório especializado, onde o protético confeccionará a placa em acrílico ou silicone. Quando a placa fica pronta é necessário um retorno ao dentista para receber algumas instruções.
A placa de silicone é mais confortável, porém é menos efetiva, seus efeitos menos controláveis e, por serem mais porosas, retêm mais bactérias e podem causar mau cheiro. Portanto a placa de acrílico é a mais indicada na maioria dos casos.
Para conservar a placa é preciso uma higienização dela ( na parte da manhã deve ser limpa com escova macia e sabonete ou pasta dental, e mantida dentro de um recipiente apropriado com algodão umedecido).
QUAL É O RISCO DE NÃO REALIZAR O TRATAMENTO?
As dores de cabeça tensionais são comuns nos portadores de bruxismo. Elas surgem por contração excessiva dos músculos da mastigação, podendo atingir rosto, pescoço, ouvido e até ombros. O período crítico é pela manhã (se a contração predominar à noite) ou de tarde (se predominar de dia).
Outro problema decorrente do bruxismo é dor da articulação da mandíbula. Esta também pode sofrer estalos, travamento, restringir a abertura da boca e desviar para o lado ao abrir e fechar. Também é frequente a dor e o desgaste dos dentes. A dor é pior pela manhã e o desgaste pode chegar à gengiva. Em dentes mais frágeis, sejam eles cariados ou tratados, o ranger pode provocar a quebra.
A placa de mordida deverá ser substituída em caso de danos (se ela amarelar, furar, quebrar...), caso seu tempo de uso ultrapasse 6 meses, ou conforme a mudança na oclusão do paciente.
Uma vez diagnosticado e constatado que a dor de cabeça do paciente é de origem muscular ou articular é necessário o uso da placa de mordida assim como acompanhamento fisioterápico e em alguns casos o uso de fármacos.
- Fonte:http://conquistodontologia.com.br/placa-de-mordida/
BRUXISMO
O que é Bruxismo?
O bruxismo é o rangido ou cerramento dos dentes. Para saber se a pessoa tem bruxismo ou não é necessário identificar os sintomas. Uma pessoa que frequentemente sente dores de cabeça, dor nos músculos da mandíbula ao acordar, dor por um período prolongado nos músculos da face, inchaço ocasional na mandíbula devido ao apertar dos dentes, estalo ou clique quando você mexe a articulação temporomandibular( abrir ou fechar a boca), contrações rítmicas dos músculos da mandíbula, músculos da mandíbula apertados ou doloridos, ou ranger de dentes emitindo sons, assim como dentes danificados ou restaurações dentárias quebradas e gengiva ferida, provavelmente sofre de bruxismo, portanto deve procurar um dentista com urgência.
O bruxismo pode fazer os dentes ficarem doloridos ou soltos, e, às vezes, partes dos dentes são literalmente desgastados.Com o decorrer do tempo o bruxismo pode acarretar a destruição do osso e da gengiva, assim como problemas que envolvam a articulação da mandíbula - como síndrome da articulação têmporo-mandibular (ATM).
Como saber se tenho bruxismo?
A grande maioria das pessoas que sofre com o bruxismo são sintomáticas, por isso ao procurar um cirurgião dentista e relatar os sintomas citados anteriormente o dentista inicia o tratamento para o bruxismo. Algumas pessoas tem o habito inconsciente de ranger os dentes, portanto não percebem que estão fazendo isto, até que alguém comente que elas fazem um horrível som de ranger de dentes enquanto estão dormindo. Enquanto para outras é necessário realizar um exame dental rotineiro para descobrir que seus dentes estão desgastados ou o esmalte de seu dente está rachado, e só então descobrir que sofre de bruxismo.
Como tratar o bruxismo?
Para definir uma linha de tratamento para o bruxismo é necessário descobrir a causa deste. Ao fazer perguntas apropriadas e examinar detalhadamente os dentes, o dentista pode descobrir a fonte potencial do bruxismo.Baseando-se no grau dos danos causados aos dentes e a sua causa provável, o dentista poderá sugerir:
- O uso de um dispositivo quando dormir: um dispositivo feito sob medida pelo dentista e ajustado aos dentes do paciente, encaixa-se sobre os dentes superiores e os protege de se triturarem com os dentes inferiores.
- Encontrando meios de relaxamento: a tensão é uma das principais causas do bruxismo, portanto aliviar esta tensão diária alivia os músculos faciais e diminui o bruxismo. Procurar alguma terapia auxiliará no aprendizado de meios eficazes de controlar situações estressantes, ter algum Hobbies, ouvir musica, praticar esporte, ler algum livro,são maniras de se aliviar a tensão acumulada. De modo imediato ao aplicar uma toalhinha morna e molhada nas laterais da face ajuda a relaxar os músculos doloridos devido à pressão exercida.
- Reduzindo a "exposição" de um ou mais dentes para igualar sua mordida: uma má oclusão comumente pode causar o bruxismo, pois os dentes não se ajustam bem, causando o ranger e o desgaste.
Prevenção:
Se o seu bruxismo estiver relacionado ao estresse, terapia e técnicas de relaxamento podem ajudar. Evite também estimulantes, como tabaco e cafeína.
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